Quem foi São Judas Tadeu
São Judas Tadeu foi um dos doze apóstolos escolhidos por Jesus e é conhecido no Brasil como o padroeiro das causas desesperadas. A Igreja o celebra em 28 de outubro, junto de São Simão, e ele deixou uma carta que está na Bíblia com o nome dele. A oração mais rezada a ele começa em São Judas Tadeu, glorioso Apóstolo, fiel servo e amigo de Jesus.
A história de um apóstolo quase esquecido
O Evangelho fala pouco dele, e é justamente esse pouco que explica tudo o que veio depois. Mateus e Marcos o chamam de Tadeu. Lucas e os Atos dos Apóstolos o chamam de Judas de Tiago. O nome Tadeu tem origem incerta e pode vir de uma palavra aramaica ligada ao peito, no sentido de generoso, de coração grande.
Uma só fala dele ficou registrada, e foi na Última Ceia. No meio da despedida, ele pergunta a Jesus: Senhor, como aconteceu que te deves manifestar a nós e não ao mundo? É a pergunta de quem não entende por que Deus não se mostra a todos de uma vez. Jesus responde falando de quem guarda a sua palavra, e ali termina a única aparição da voz dele no Evangelho.
Segundo a tradição, ele era primo de Jesus pelo lado materno, filho de Alfeu e de Maria de Cléofas. E os antigos contam que, depois de Pentecostes, ele partiu com São Simão para pregar na Pérsia, onde os dois foram mortos por causa da fé, por volta do ano 70. As versões da morte divergem entre si, e por isso as imagens dele carregam ora uma machadinha, ora um bastão: cada uma delas guarda uma dessas versões.
Ele também deixou uma carta, curta, com vinte e cinco versículos. Nela escreve para uma comunidade cansada, pede que se mantenham firmes no amor de Deus e adverte contra quem ensina o que é falso.
O que existe hoje
Os restos dele estão em Roma, na Basílica de São Pedro, no transepto esquerdo, no altar dedicado a São José. E não está sozinho: São Simão está ali com ele, os dois apóstolos que a tradição diz que morreram juntos na Pérsia, sepultados no mesmo lugar e celebrados no mesmo dia.
No Brasil, o centro da devoção é o Santuário São Judas Tadeu, no Jabaquara, em São Paulo. Ele começou pequeno, numa casa que antes servia de depósito e armazém, transformada em capela em 1940. A paróquia foi criada em 25 de janeiro daquele ano, e a primeira festa ao padroeiro aconteceu em 28 de outubro de 1940. Em 18 de novembro de 1997, por decreto de Dom Paulo Evaristo Arns, então Arcebispo de São Paulo, aquela Paróquia foi elevada a santuário.
Onde visitar
O Santuário São Judas Tadeu, no Jabaquara, é o lugar da devoção no Brasil. Ele fica na zona sul de São Paulo, com estação de metrô a poucos minutos, o que faz dele um dos santuários mais fáceis de visitar do país, sem carro e sem viagem. O melhor dia para ir é 28 de outubro, quando a cidade inteira parece caber ali, mas há um segredo que muita gente de fora não sabe: todo dia 28, de qualquer mês, há festa e missas seguidas no santuário.
Em Roma, quem estiver na Basílica de São Pedro pode procurar o altar de São José, no transepto esquerdo, à esquerda de quem entra e olha para o altar principal. É ali que os dois apóstolos repousam, num lugar que a maioria dos visitantes atravessa sem saber.
Espalhadas pelo Brasil existem também dezenas de paróquias com o nome dele, e em muitas delas a novena que antecede 28 de outubro é o momento mais cheio do ano.
Quando a Igreja o celebra
A festa de São Judas Tadeu é em 28 de outubro, e ele nunca é celebrado sozinho: a Igreja comemora São Simão e São Judas juntos, no mesmo dia. E não é uma memória qualquer, é festa, que é o grau mais alto reservado aos apóstolos no calendário.
Vale conhecer o que a oração da Missa desse dia pede, porque surpreende quem chega procurando causas impossíveis: ela pede que a Igreja cresça pela conversão dos povos ao Evangelho. No dia em que o povo pede o impossível, a liturgia pede missão. As duas coisas cabem no mesmo dia, e é bonito que caibam.
Quem quiser fazer a novena começa nove dias antes, em 19 de outubro.
Coisas que pouca gente sabe
A festa do dia 28 não é só em outubro. No Santuário do Jabaquara, a celebração mensal no dia 28 começou em 1941, um ano depois da primeira festa, e é por isso que até hoje o dia 28 de qualquer mês tem movimento de dia de festa.
O santuário que hoje recebe multidões nasceu num armazém. A primeira capela funcionava numa casa que antes era depósito, na avenida que hoje leva o nome de Jabaquara.
Ele é o único apóstolo que dá nome a um livro da Bíblia sem ser evangelista. A Carta de Judas tem vinte e cinco versículos e fecha com uma das mais bonitas doxologias do Novo Testamento.
E existe uma coincidência que explica a devoção: o nome dele é o mesmo do traidor. É essa a origem mais provável da fama de padroeiro das causas desesperadas, e a própria oração diz isso na primeira linha.
O que muita gente acredita e não é verdade
Três coisas circulam com o nome dele e merecem ser ditas com clareza.
A primeira é a corrente. Existem versões da oração que terminam mandando publicar o texto em jornal depois de receber a graça, ou exigindo repetir um número exato de vezes. Isso não é devoção, é corrente, e a Igreja nunca ensinou que a oração funcione como troca. Deus não fica devendo favor a quem contou repetições. A oração desta página não tem nada disso: a única promessa que ela contém é a de quem reza, que promete ser grato.
A segunda é a diferença entre duas preposições que quase todo site embaralha. Oração de São Judas Tadeu é como o povo chama a oração dele. Oração a São Judas Tadeu é a que se dirige a ele, pedindo intercessão. No caso dele, as duas apontam para o mesmo texto, porque ele não escreveu oração alguma: o que existe são orações feitas para pedir que ele interceda.
A terceira é o título de padroeiro das causas desesperadas. Nenhum documento da Igreja dá esse título a ele, e o Papa Bento XVI, ao falar sobre São Judas Tadeu, não tocou no assunto. A explicação mais firme está dentro da própria oração: o nome dele lembrava Judas Iscariotes, e por medo de confundir com o traidor muita gente evitava invocá-lo. Sobrava para ele quem já não tinha mais a quem recorrer. Quem chegava ao fim da linha e encontrava ajuda começou a contar, e a fama se espalhou. Conta-se também que Santa Brígida da Suécia teria recebido essa recomendação em revelação particular, mas até o nome da santa muda de versão para versão, então isso fica como tradição, e não como fato.
Como e quando rezar
Esta oração nasceu para o momento em que as portas se fecham. Ela serve quando o exame não deu o resultado esperado, quando o emprego não aparece há meses, quando alguém da família se perdeu de si mesmo, quando a dívida cresceu mais que a conta. Não é oração de rotina: é oração de aperto.
Reze sem pressa, e no meio dela existe um espaço para dizer, com as suas palavras, a graça que você precisa. Esse espaço é o coração da oração: pare ali, fale o nome da pessoa, diga o que dói.
E guarde uma coisa, porque é ela que mantém a oração no lugar certo: a última linha pede rogai por nós. São Judas não concede nada, ele leva o seu pedido a Deus, como um irmão mais velho que fala por você. A graça vem de Deus, sempre.