Quem foi São Roque
A Oração de São Roque é rezada por quem tem medo de doença contagiosa, por quem cuida de doentes e por quem tem animais em casa ou no campo. Ele é o santo que a tradição católica invoca contra epidemias, e a memória dele é em 16 de agosto.
Roque nasceu em Montpellier, no sul da França, por volta de 1295, em família nobre. Morreu jovem, com cerca de 32 anos, e a história de como ele viveu esse tempo curto é uma das mais duras e mais bonitas do calendário dos santos.
O que se pede na oração de São Roque
A oração tem uma sequência que vale ler com atenção, porque ela vai do concreto ao amplo.
Começa lembrando o que ele fez: deixou a tranquilidade de casa, foi socorrer doentes e não recuou nem diante da peste. Depois pede que ele se lembre de nós e nos socorra com o mesmo amor. Em seguida vem um pedido que quase nenhuma oração de santo tem: que ele defenda as nossas criações da peste e da doença, ou seja, os animais que sustentam uma casa.
Só então vêm os pedidos maiores: saúde, paz na família, espírito comunitário, fé e esperança. E termina lembrando que aquelas graças vêm pelos méritos de Jesus Cristo, com quem ele partilhou a dor.
O nobre que largou tudo
Roque ficou órfão ainda jovem e herdou um patrimônio grande. Fez com ele o que quase ninguém faz: distribuiu tudo entre os pobres e saiu de casa vestido de peregrino.
Foi a Roma a pé, e na estrada encontrou a Europa no pior momento dela: a peste negra atravessando cidade após cidade. Ele podia ter desviado. Escolheu entrar.
Passou anos cuidando de doentes de peste em vilas e cidades da Itália, gente de quem todos fugiam, e nesse período se tornou terceiro franciscano.
A peste que ele pegou cuidando de doentes
Em Piacenza, no norte da Itália, aconteceu o que era previsível: Roque contraiu a doença que vinha tratando nos outros.
Fez então o que a caridade exigia dele naquele momento: saiu da cidade para não contagiar ninguém e se recolheu sozinho numa cabana no meio do mato, para morrer ou sarar longe de todos.
É esse detalhe que explica por que ele é invocado em tempo de epidemia. Roque não é o santo de quem escapou da doença: é o santo de quem cuidou, adoeceu junto e se isolou para proteger os outros.
O cão que levava pão todos os dias
Sozinho na cabana, sem ninguém para levar comida, Roque foi alimentado por um cachorro.
O animal aparecia todos os dias com um pedaço de pão na boca e o entregava a ele. A tradição conta que o cão pertencia a um senhor das redondezas, que estranhou o pão desaparecendo e seguiu o animal até descobrir o homem doente escondido no mato. Foi assim que Roque recebeu ajuda humana, e ele se curou.
Por isso quase toda imagem de São Roque tem um cão ao lado, com um pão na boca, e o santo mostrando uma ferida na perna, que é o sinal da doença que ele carregou.
E é daí que vem a devoção brasileira que leva cachorro para a bênção: quem reza a São Roque pelos animais está lembrando que, na hora em que ninguém apareceu, foi um animal que salvou a vida dele.
Cinco anos preso na própria cidade
O fim da história é o que mais impressiona.
Curado, Roque voltou a Montpellier ainda vestido de peregrino, magro e mudado pela doença, e não disse quem era. A cidade vivia tensão política, e ele foi tomado por vagabundo e espião. Foi encarcerado, e ficou na prisão cinco anos, sem se identificar.
Morreu ali, em 16 de agosto de 1327. Só depois da morte a família reconheceu quem tinha estado preso todo aquele tempo.
Guarde isso ao rezar a ele: o homem que atravessou a Europa cuidando dos doentes de todo mundo morreu esquecido dentro da própria cidade, por engano dos seus.
Por que ele é o santo dos animais
Por causa do cão, e a oração deixa isso explícito ao pedir proteção para as criações.
No Brasil, muitas paróquias fazem no dia 16 de agosto a bênção de animais, com gente levando cachorro, gato e, no interior, bicho de criação. É uma das devoções mais afetuosas do calendário, e tem fundamento na história: aquele cão foi o instrumento de que Deus se serviu para manter Roque vivo.
Ele é invocado também pelos que trabalham cuidando de doentes, e pelos cirurgiões.
16 de agosto
A memória de São Roque é celebrada em 16 de agosto, dia da morte dele, e no Brasil essa é a data em que as festas e as bênçãos acontecem.
Muitas comunidades rezam a novena nos nove dias anteriores, começando em 7 de agosto. E há um número grande de paróquias, bairros e cidades brasileiras com o nome dele, sinal de quanto essa devoção se enraizou por aqui.
Quando se reza a São Roque
Reza-se em tempo de doença que se espalha, e o Brasil aprendeu isso de novo recentemente: quando aparece uma epidemia, essa oração volta a ser procurada.
Reza-se por quem trabalha em hospital e por quem cuida de doente em casa, que é a companhia mais próxima dele.
Reza-se pelos animais, na bênção de 16 de agosto ou em casa, quando um deles adoece. E reza-se por quem está preso ou esquecido, que foi o modo como ele terminou a vida.