Quem foi São Pedro
A Oração de São Pedro é dirigida ao apóstolo que Jesus escolheu para ser a pedra da Igreja e que a tradição reconhece como o primeiro Papa. Ele era pescador, nascido em Betsaida, na Galileia, chamava-se Simão e recebeu de Jesus o nome pelo qual o mundo o conhece. Morreu mártir em Roma, e a Basílica de São Pedro foi construída sobre o lugar onde ele foi sepultado. A festa dele é em 29 de junho.
A história: o pescador que virou pedra
Simão era de Betsaida, uma cidadezinha a oriente do mar da Galileia, e trabalhava com o irmão André na pesca. As palavras são de Bento XVI, que dedicou catequeses inteiras a ele: também ele, como o irmão, era pescador, e o modo de falar traía o sotaque galileu. Era um homem do interior, sem estudo formal, reconhecível pelo jeito de falar.
O nome mudou no primeiro encontro. Jesus lhe disse que ele passaria a se chamar Cefas, que em grego se diz Petros e em português Pedra. E não era apelido: como explica Bento XVI, aquele nome era um mandato, na linha do Antigo Testamento, em que a mudança de nome anuncia uma missão.
A frase que fundou tudo veio depois, em Cesareia de Filipe: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Na mesma cena, Jesus promete a ele as chaves do Reino do Céu, e é dessas imagens, a pedra e as chaves, que a Igreja lê o lugar de Pedro entre os apóstolos.
Só que a história de Pedro não é a de um herói sem falha, e é justamente isso que a torna útil para quem reza. Bento XVI o descreve com uma franqueza que vale guardar: por vezes é também ingénuo e medroso, e contudo honesto, até ao arrependimento mais sincero. Foi ele quem prometeu não abandonar Jesus e o negou três vezes na noite da prisão. E foi ele, depois de chorar aquilo, que recebeu a missão de cuidar do rebanho.
Pedro morreu mártir em Roma, no tempo das perseguições, e foi sepultado na colina do Vaticano.
O que existe hoje
Sobre o túmulo de Pedro está a maior basílica da cristandade. E isso não é figura de linguagem: entre 1939 e os anos 1950, escavações determinadas pelo Papa Pio XII foram feitas embaixo da Basílica de São Pedro e encontraram a antiga necrópole e a sepultura venerada pelos primeiros cristãos, com um grafite em grego que se lê como Pedro está aqui.
Em 26 de junho de 1968, o Papa Paulo VI anunciou o resultado com uma formulação que vale citar exatamente como ele disse: as relíquias de São Pedro foram identificadas de um modo que julgamos convincente. É a linguagem cuidadosa da Igreja diante de uma pesquisa arqueológica, e é mais forte assim do que qualquer exagero.
Hoje, quem entra na Basílica de São Pedro está sobre aquela necrópole, e é possível visitar as escavações com agendamento. A cátedra de Pedro, como se diz, continua ocupada: cada Papa é reconhecido como sucessor dele.
Onde visitar
Roma é o destino, e são três lugares em um. A Basílica de São Pedro, no Vaticano, com a Confissão diante do altar central, embaixo da qual está o túmulo. As escavações da necrópole vaticana, que se visitam em grupos pequenos, com agendamento antecipado pelo escritório do Vaticano. E a Praça de São Pedro, onde o Papa reza o Angelus aos domingos.
Para quem quer completar o caminho dos dois apóstolos de Roma, a Basílica de São Paulo fora dos Muros, do outro lado da cidade, guarda o túmulo de Paulo. Os dois são celebrados no mesmo dia, 29 de junho, e a peregrinação clássica visita os dois no mesmo dia.
No Brasil, São Pedro é padroeiro de milhares de Paróquias e de muitas cidades do litoral, o que faz sentido: ele é o santo dos pescadores. Em cidades de praia e de rio, 29 de junho reúne procissão de barcos, com bênção das embarcações e das redes.
Quando a Igreja o celebra
A festa é em 29 de junho, e ela é dupla: a Igreja celebra São Pedro e São Paulo juntos, os dois apóstolos que deram a Roma o lugar que ela tem na história cristã.
No Brasil, 29 de junho fecha o ciclo das festas de junho, depois de Santo Antônio em 13 e São João em 24. Nas cidades pesqueiras, é o dia da procissão de barcos e da bênção das redes. Em muitas comunidades, é também a data em que se reza pelas viúvas, uma tradição popular ligada a ele.
Se você quer rezar a novena, o costume é começar nove dias antes, terminando no dia 29.
Coisas que pouca gente sabe
O nome dele era Simão. Pedro é o nome que Jesus lhe deu, e significa pedra.
Bento XVI dedicou uma série de catequeses a ele e o descreveu como alguém por vezes ingênuo e medroso, e contudo honesto até ao arrependimento mais sincero.
O sotaque dele o entregava: era reconhecível como galileu pelo modo de falar.
Embaixo da Basílica de São Pedro existe uma necrópole antiga, e nela um grafite em grego que se lê como Pedro está aqui.
O anúncio de Paulo VI sobre as relíquias, em 1968, usou uma formulação prudente: identificadas de um modo que julgamos convincente.
Ele é celebrado no mesmo dia que São Paulo, 29 de junho, e não em data própria.
O que vale esclarecer
O primeiro ponto é o que mais consola quem reza: Pedro não foi escolhido por ser perfeito. Ele negou Jesus três vezes, e recebeu depois a missão de cuidar do rebanho. Quem chega a esta oração carregando um erro grande está rezando ao apóstolo que errou grande.
O segundo é sobre o nome. Pedro não é sobrenome nem título: é o nome novo que Jesus deu a Simão, e ele significa pedra. Na leitura da Igreja, aquele nome era um mandato, não um apelido.
O terceiro é sobre o túmulo, e aqui vale a precisão. A Igreja não afirma mais do que a pesquisa permite: em 1968, Paulo VI disse que as relíquias foram identificadas de um modo que julgamos convincente. É essa a formulação oficial, e ela é suficiente: a Basílica está sobre o lugar que os primeiros cristãos veneravam como a sepultura de Pedro.
Como e quando rezar
Esta é a oração de quem precisa começar de novo. Serve para quem falhou com alguém, para quem se arrependeu de verdade e não sabe se será recebido de volta, para quem carrega uma vergonha antiga. A história de Pedro responde a isso melhor do que qualquer explicação: ele negou, chorou, voltou e recebeu uma missão maior do que a que tinha antes.
Também é a oração dos que trabalham na água: pescador, marinheiro, quem vive de barco e de rede. E é rezada por quem tem responsabilidade sobre outras pessoas, porque foi a Pedro que Jesus confiou o cuidado do rebanho: pai, mãe, chefe, professor, quem coordena e responde por gente.
Como rezar: em 29 de junho, com a comunidade, ou na novena dos nove dias antes. Em casa, diante de uma imagem, dizendo em voz alta o que você quer recomeçar. E se você vive perto do mar ou de um rio, vá à procissão de barcos: é uma das formas mais bonitas de rezar a ele no Brasil.