Quem foi São Nicolau
Nicolau nasceu em Patara, na região da Lícia, que hoje fica na Turquia, e foi bispo da cidade de Mira, no século IV. Era de família com posses e ficou conhecido em vida por uma coisa só: dava o que tinha.
Morreu num 6 de dezembro, e é nesse dia que a Igreja o celebra. O ano exato não é certo, e as fontes hesitam entre 345 e 352.
É padroeiro das crianças, das moças solteiras, dos marinheiros, dos presos e dos comerciantes, e é padroeiro de países inteiros, entre eles a Rússia e a Grécia.
E é ele que o mundo chama hoje de Papai Noel.
A oração a São Nicolau
A oração rezada a ele é curta e pede uma coisa específica:
Senhor, pelos méritos de São Nicolau, concedei-me a graça da bondade e zelo para com os mais aflitos, necessitados e, em especial, para com as crianças. Que eu saiba aprofundar em mim os dons que me destes, colocando-os em prática.
Repare no fim, que é a parte incomum. Ela não pede dons novos: pede para colocar em prática os que já foram dados. É o pedido exato para quem tem condição de ajudar e não ajuda, que é o oposto do que ele fez a vida inteira.
As bolsas de ouro jogadas pela janela
A história mais conhecida dele explica tudo o que veio depois.
Um homem da cidade tinha três filhas e nenhum dinheiro. Sem dote, elas não teriam como se casar, e naquele tempo isso significava um futuro muito ruim para as três.
Nicolau soube. E resolveu com uma condição: ninguém podia saber que tinha sido ele. Jogou o ouro pela janela da casa, à noite, e foi embora. Fez isso uma vez para cada filha.
Guarde os três elementos dessa cena, porque eles atravessaram dezesseis séculos: presente, de noite, entregue por alguém que não quer ser visto.
Não é preciso explicar de onde vem o resto.
De Sinter Klaas a Santa Claus
O caminho do nome é a parte que quase ninguém conhece, e ele é rastreável.
Na Idade Média, no dia 6 de dezembro, em Flandres, na Lorena e nos Países Baixos, alguém vestido de bispo, com barba branca, saía distribuindo presentes para as crianças. Era o dia dele, e a brincadeira imitava o que ele havia feito.
Em holandês, o nome do santo é Sinter Klaas. Os imigrantes holandeses levaram o costume e o nome para a América, e ali Sinter Klaas virou Santa Claus.
Depois vieram os poemas, as ilustrações e a publicidade, que trocaram a roupa comprida de bispo pela roupa vermelha, encheram o personagem de renas e o mudaram de dia: do 6 de dezembro para o 25.
Mas o nome ficou. Santa Claus é São Nicolau em holandês mal pronunciado, e nada mais do que isso.
6 de dezembro, e não 25
Vale saber, porque muda o modo de olhar para dezembro inteiro.
O dia de São Nicolau é 6 de dezembro, quase três semanas antes do Natal. Em vários países da Europa é nessa data, e não no dia 25, que as crianças ganham presente, e o Natal continua sendo o que sempre foi: a festa do nascimento de Jesus.
Aqui no Brasil as duas coisas se juntaram numa data só, e o resultado é que muita criança acredita que o Natal é a festa do Papai Noel.
Saber quem foi Nicolau desfaz isso sem tirar nada de ninguém. O presente continua, a figura de barba branca continua, e por trás dela aparece um bispo que dava o que tinha e não queria ser visto fazendo.
Bari, e os ossos que atravessaram o mar
Em 1087, marinheiros italianos levaram as relíquias dele de Mira para Bari, no sul da Itália, onde estão até hoje, numa basílica que leva o nome dele.
Por causa disso ele é chamado tanto de São Nicolau de Mira quanto de São Nicolau de Bari. É a mesma pessoa, com o nome de duas cidades separadas por um mar.
Quando se reza a São Nicolau
Reza-se em 6 de dezembro, o dia dele, e é uma boa data para começar o Advento lembrando de quem dá sem aparecer.
Reza-se por crianças, que são o padroado mais conhecido dele.
Reza-se por quem trabalha no mar e por quem está preso, dois grupos que ele protege desde sempre.
E reza-se quando se vai ajudar alguém e há a tentação de contar para os outros. A regra dele era simples: jogar pela janela e ir embora.