Quem é São Martinho de Tours
São Martinho viveu no século IV e foi soldado do exército romano antes de ser qualquer outra coisa.
Depois deixou a vida militar, tornou-se monge e acabou bispo de Tours, na França, onde a devoção a ele é antiga e forte.
A festa é 11 de novembro.
E a cena pela qual o mundo inteiro o conhece aconteceu quando ele ainda estava fardado.
A oração a São Martinho de Tours
A oração da Missa deste dia é esta:
Senhor nosso Deus, que fostes glorificado pela vida e pela morte do bispo São Martinho de Tours, renovai em nossos corações as maravilhas da vossa graça, de modo que nem a morte nem a vida nos possam separar do vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Ele ainda não era batizado
A cena é conhecida: num inverno, na cidade de Amiens, Martinho encontrou um homem sem roupa, tremendo de frio, e cortou a própria capa ao meio com a espada, dando metade a ele.
Está em quadro de museu, em vitral de paróquia e em livro de catequese.
O que quase nunca se conta é o detalhe que muda o sentido inteiro: naquele momento, Martinho ainda não era batizado.
Ele era um soldado romano em processo de aproximação da fé, sem ter dado o passo formal.
Ou seja: o gesto que o tornou conhecido para sempre aconteceu antes de ele ser oficialmente cristão.
Não foi consequência de uma formação, de uma regra aprendida nem de um dever assumido. Veio antes de tudo isso.
O que isso diz para quem lê
Isso muda o que a história serve para ensinar.
Quem espera estar pronto para agir vai esperar muito. Ele não estava pronto: estava a caminho, e agiu no meio do caminho.
E repare no gesto em si: ele não deu a capa inteira nem deu roupa velha guardada em casa. Cortou ao meio o que estava usando, na hora, com a ferramenta que tinha na mão.
Dividiu o que estava em cima do próprio corpo, num inverno.
A oração cita uma frase de Paulo
Volte à oração e leia o pedido: "de modo que nem a morte nem a vida nos possam separar do vosso amor".
Essa frase não é da oração: é de São Paulo, na Carta aos Romanos, onde ele diz que nem a morte nem a vida poderão separar ninguém do amor de Deus.
E repare como a oração é construída em torno desse par.
Ela começa dizendo que Deus foi glorificado "pela vida e pela morte" do bispo. Depois pede que "nem a morte nem a vida" nos separem.
As duas mesmas palavras, na ordem invertida, abrindo e fechando o texto. É construção cuidadosa, e não acaso.
Um santo antes do calendário dos santos
Vale um dado de contexto que ajuda a entender o tamanho dele.
Martinho é um dos primeiros cristãos venerados como santo sem ter morrido mártir. Até então, o modelo quase exclusivo de santidade reconhecida publicamente era o de quem tinha sido morto pela fé.
Ele morreu de velhice, como bispo, depois de uma vida longa. E ficou.
Isso abriu caminho para o que hoje é comum: reconhecer santidade numa vida inteira, e não apenas num fim heroico.
Quando se reza a São Martinho de Tours
Reza-se em 11 de novembro, dia da festa.
Reza-se por militares e por quem trabalha fardado.
Reza-se no frio, por quem está na rua, que é exatamente a situação da cena.
Reza-se por quem está se aproximando da fé e acha que precisa terminar de acertar tudo antes de começar a agir.
E reza-se quando aparece alguém precisando e a gente pensa em dar o que sobra, em vez de dividir o que está em uso.