Quem é São Luís Maria Grignion de Montfort
São Luís Maria Grignion de Montfort é o santo que ensinou milhões de católicos a se consagrarem a Maria, e o instrumento disso foi um livro que quase não chegou até nós.
Foi teólogo, sacerdote missionário e escritor francês, e o Papa Pio XII o proclamou missionário da Santíssima Virgem e mestre da verdadeira devoção mariana.
O Tratado da Verdadeira Devoção
Ele escreveu o Tratado no início do século XVIII, por volta de 1712. E então a obra desapareceu.
O manuscrito ficou perdido por cerca de 130 anos, de 1712 a 1842, quando foi encontrado dentro de uma caixa por um padre da congregação que ele mesmo havia fundado. Foi publicado em 1843 e teve sucesso imediato, tornando-se a obra que difundiu a verdadeira devoção mariana no mundo inteiro.
É por isso que este livro é hoje mais procurado que o nome do autor: quem busca informação sobre consagração a Maria chega ao Tratado antes de chegar a ele.
O que a verdadeira devoção significa
A proposta do Tratado é a consagração total a Jesus por meio de Maria, entregando a ela o que se tem e o que se faz, para que ela conduza a Cristo.
O ponto que o santo insiste é este: Maria não é o destino, é o caminho mais curto. Toda a devoção dele termina em Jesus, e essa é a resposta que ele mesmo dá a quem acha que devoção mariana desvia da adoração devida a Deus.
O Totus tuus de João Paulo II
Aqui está o dado que mostra o alcance dele: São João Paulo II adotou como lema do pontificado a expressão Totus tuus, que significa todo teu, tirada da espiritualidade de Montfort.
O mesmo papa inscreveu o nome dele no Calendário geral da Igreja, em 1996, e em 13 de janeiro de 2004 escreveu uma carta às Famílias Monfortinas sobre a doutrina do fundador delas, documento que está nos arquivos da Santa Sé.
O que existe hoje
Ele fundou três famílias religiosas: a Companhia de Maria, conhecida como Missionários Monfortinos, as Filhas da Sabedoria e os Irmãos de São Gabriel.
O Tratado da Verdadeira Devoção continua sendo reeditado em português por várias editoras católicas, e é leitura de base em grupos de consagração mariana no Brasil.
Onde visitar
Na França, o roteiro passa por Montfort-sur-Meu, na Bretanha, de onde vem o nome, e por Saint-Laurent-sur-Sèvre, na Vendeia, onde ele morreu em 1716 e onde está o túmulo.
No Brasil, o caminho passa pelas obras monfortinas e pelos grupos de consagração que usam o Tratado como roteiro de trinta e três dias.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 28 de abril. Ele foi beatificado em 1888, pelo Papa Leão XIII, e canonizado em 20 de julho de 1947, pelo Papa Pio XII.
Coisas que pouca gente sabe
O livro mais influente da devoção mariana moderna passou mais tempo perdido do que o autor viveu. Montfort morreu em 1716, e o Tratado só apareceu em 1842.
Outro dado: o lema de um dos pontificados mais longos da história, Totus tuus, veio de um missionário do interior da França que morreu com pouco mais de quarenta anos e foi contestado em vida.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que a consagração a Maria proposta por ele coloca Maria no lugar de Deus. O próprio Tratado responde: a devoção é a Jesus por meio de Maria, e ela é caminho, não destino.
Também se supõe que o Tratado é livro antigo de uso contínuo desde o século XVIII. Ele só começou a circular a partir de 1843, depois de mais de um século esquecido numa caixa.
E há quem confunda este Luís com São Luís IX, rei da França, ou com São Luís Gonzaga. São três santos distintos, e a lista de devoções tem verbete separado para cada um.
Como e quando rezar
Reza-se a São Luís de Montfort por quem quer se consagrar a Maria, por missionários populares, e por quem escreve ou ensina a fé. É também o santo de quem trabalha sem ver resultado: ele morreu sem saber que o livro dele mudaria a devoção mariana.
Em 28 de abril, um modo simples é começar a leitura do Tratado, ou rezar um terço pedindo a graça de entregar a Maria uma decisão concreta que você precisa tomar.