Quem foi São Luís Gonzaga
São Luís Gonzaga nasceu em 9 de março de 1568, em Castiglione delle Stiviere, na Lombardia, filho mais velho de Ferrante Gonzaga, marquês, e de Marta Tana.
Ser o primeiro filho de uma casa como aquela significava título, terras e um lugar garantido na corte. Ele devolveu tudo isso e morreu aos 23 anos cuidando de doentes numa epidemia. É por isso que a Igreja o deu como padroeiro à juventude.
A origem, com as datas
Desde a adolescência ele dizia que queria a vida religiosa, e o pai resistiu por anos. A pressão não era pequena: renunciar significava tirar a família da linha de sucessão que ela mesma havia construído.
Ele venceu a resistência, abriu mão do título e da herança em favor do irmão, e entrou no noviciado dos jesuítas em Roma, em 1585. Tinha 17 anos.
A peste de Roma
Em 1590 e 1591 uma epidemia de peste castigou Roma. Os jesuítas abriram atendimento aos doentes, e Luís pediu os serviços mais pesados: carregar gente da rua, lavar, alimentar, ficar perto de quem ninguém queria tocar.
Foi ali que ele contraiu a doença. Morreu em 21 de junho de 1591, com 23 anos, ainda estudante, sem ter sido ordenado padre.
Vale dizer o que isso significa: ele não é santo por causa de uma obra construída, de um livro escrito ou de uma ordem fundada. É santo pelo modo como viveu poucos anos e pelo que fez nos últimos meses.
A canonização e os dois títulos
O Papa Bento XIII o canonizou em 31 de dezembro de 1726, no mesmo dia em que canonizou outro noviço jesuíta, Estanislau Kostka.
Em 1729, o mesmo Papa o declarou padroeiro dos jovens estudantes. E em 1926, o Papa Pio XI ampliou o título: padroeiro de toda a juventude cristã. É um dos raros santos com padroado dado duas vezes, por dois Papas, com dois séculos de distância.
O nome dele no Brasil
Aqui o material brasileiro é forte e quase ninguém liga uma coisa à outra.
Em 1687, na região que hoje é o noroeste do Rio Grande do Sul, os jesuítas fundaram com os guaranis a redução de São Luiz Gonzaga, uma das Sete Povos das Missões. Hoje aquilo é a cidade de São Luiz Gonzaga, e a área da antiga redução é sítio arqueológico.
Ou seja: um jovem nobre italiano do século 16 deu nome a uma cidade gaúcha, por causa de uma missão guarani do século 17. Em São Paulo, o Colégio São Luís, dos jesuítas, também leva o nome dele.
Onde visitar
Em Roma, o corpo dele está na Igreja de Santo Inácio, no centro da cidade, ao lado do Colégio Romano onde estudou. Em Castiglione delle Stiviere, cidade natal, há santuário dedicado a ele.
No Brasil, o roteiro é o das Missões, no Rio Grande do Sul: a cidade de São Luiz Gonzaga e o circuito missioneiro, com São Miguel das Missões a poucos quilômetros.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 21 de junho, dia da morte dele. É data muito usada em paróquia para bênção de estudantes e para encontros de jovens, por causa do padroado.
Coisas que pouca gente sabe
Ele nunca foi padre. Morreu estudante de teologia, e isso não impediu nem a canonização nem o padroado sobre a juventude do mundo.
Foi canonizado junto com Estanislau Kostka, outro jovem jesuíta morto cedo. A Igreja deu aos dois o mesmo dia de canonização, o que na prática criou uma dupla de santos jovens.
E há a coincidência com outro santo da nobreza europeia: São Luís de Tolosa, príncipe que recusou o trono de Nápoles, morreu também com 23 anos, três séculos antes.
O que muita gente acredita e não é verdade
A confusão mais brasileira de todas: ele não é Luiz Gonzaga, o cantor pernambucano do baião. O nome é parecido e a pessoa é outra, separada por quatro séculos e um oceano.
Também é comum confundi-lo com São Luís, rei da França, celebrado em 25 de agosto, e com São Luís de Tolosa, bispo franciscano. São três santos diferentes. E a capital do Maranhão, apesar do nome, homenageia um rei francês, não este jesuíta.
Como e quando rezar
Reza-se a São Luís Gonzaga por adolescentes e jovens, por estudantes em época de prova, por quem está decidindo o rumo da vida e por quem enfrenta pressão da família para seguir outro caminho.
Ele também é procurado por quem cuida de doentes em situação de risco, porque foi exatamente isso que o matou.