Quem foi São Luís de Tolosa
São Luís de Tolosa nasceu em 1274, filho de Carlos II, rei de Nápoles, e de Maria da Hungria. Era neto e sobrinho de reis, e o caminho dele estava traçado desde o berço.
Ele é conhecido por dois nomes: Luís de Tolosa, por causa da cidade francesa onde foi bispo, e Luís de Anjou, por causa da família. E a história dele é a de alguém que devolveu tudo o que recebeu de herança.
Os sete anos de refém
Depois de uma derrota militar do pai, os filhos foram entregues como garantia da palavra do rei, e Luís passou sete anos preso, ainda adolescente.
Foi nesse tempo, longe da corte, que ele teve contato com frades franciscanos e decidiu que a vida dele não seria de rei. Quem entrou refém era um herdeiro; quem saiu era outra pessoa.
A renúncia ao trono
Solto em janeiro de 1296, ele chegou a Nápoles e fez o que ninguém esperava: renunciou ao trono em favor do irmão Roberto e entrou na vida religiosa, no convento de Ara Coeli, dos franciscanos, em Roma.
Não foi gesto simbólico. Ele abriu mão do reino de Nápoles, que era um dos mais ricos da Europa daquele tempo, e trocou o hábito de príncipe pelo de frade menor.
Bispo aos 23 anos, e por poucos meses
O Papa Bonifácio VIII o nomeou bispo de Tolosa, no sul da França. Ele aceitou, insistiu em manter o modo de vida franciscano, e governou a diocese por pouco tempo.
Morreu em Brignoles, na Provença, em agosto de 1297, com 23 anos, e foi sepultado em Marselha. O Papa João XXII o canonizou em 7 de abril de 1317, vinte anos depois da morte.
A imagem em que ele coroa o irmão
Do começo do século 14 existe um retábulo famoso, hoje em Nápoles, em que ele aparece sentado com o hábito franciscano por baixo dos paramentos de bispo, colocando a coroa na cabeça do irmão Roberto.
Aquela pintura é política e é teologia ao mesmo tempo: serve para legitimar o irmão no trono e para dizer que o santo da família escolheu outra coisa. Poucas imagens medievais explicam tão bem uma história de família.
A cidade brasileira que leva o nome dele
Em 2 de maio de 1769 nasceu no vale do Paraíba, em São Paulo, a povoação que recebeu o nome de São Luís do Paraitinga, em homenagem a São Luís, bispo de Tolosa.
Um detalhe que quase ninguém sabe: a padroeira da povoação, no começo, era Nossa Senhora dos Prazeres. O nome da cidade e o título da padroeira eram coisas diferentes, e é assim até hoje. A cidade, escrita hoje São Luiz do Paraitinga, é tombada pelo IPHAN por causa do conjunto arquitetônico.
Onde visitar
Na Europa, o roteiro tem três pontos: Tolosa, na França, onde foi bispo; Brignoles, na Provença, onde morreu; e Marselha, onde foi sepultado.
No Brasil, o endereço é São Luiz do Paraitinga, no interior paulista, cidade que carrega o nome dele e que é conhecida pelo casario colonial e pelas festas populares.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 19 de agosto, e aparece no calendário franciscano e no de várias dioceses brasileiras.
Coisas que pouca gente sabe
Ele morreu com 23 anos, o que significa que foi refém dos 13 aos 20, frade e bispo entre os 21 e os 23. A vida pública dele inteira durou menos que uma faculdade.
Ele fez questão de continuar vivendo como frade dentro do palácio episcopal, com a mesma comida e o mesmo hábito, o que irritou parte da corte e da própria diocese.
E a canonização veio rápida para os padrões da época: vinte anos depois da morte, num processo empurrado pela família real, que tinha interesse claro em ter um santo em casa.
O que muita gente acredita e não é verdade
A confusão mais comum é com São Luís, rei da França, que era tio-avô dele e é celebrado em 25 de agosto. São dois santos diferentes, da mesma família e do mesmo século.
Outra confusão é achar que a capital do Maranhão leva o nome deste santo. Não leva: São Luís do Maranhão foi batizada pelos franceses em homenagem a um rei da França, e não ao bispo de Tolosa. A cidade paulista, sim, é dele.
Como e quando rezar
Reza-se a São Luís de Tolosa por jovens que precisam decidir o rumo da vida, e por quem sente pressão da família para seguir um caminho que não é o seu.
Ele também é procurado por quem tem responsabilidade grande cedo demais, e por quem trabalha com jovens em situação de escolha difícil.