Quem foi São Leopoldo Mandic
Leopoldo Mandic nasceu em 12 de maio de 1866, em Castelnovo, na região da Dalmácia, de família croata.
Aos dezesseis anos entrou para os capuchinhos e foi ordenado padre em Veneza, em 1890. Viveu quase toda a vida adulta em Pádua, na Itália, e morreu ali em 30 de julho de 1942, aos setenta e seis anos.
Era pequeno de estatura e tinha saúde frágil a vida inteira. Foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 16 de outubro de 1983.
A oração a São Leopoldo Mandic
O texto rezado a ele fala do que ele fez a vida toda:
São Leopoldo, que durante a vossa vida jamais recusastes o perdão a quem se aproximava arrependido, intercedei por mim, para que, ao confessar-me, eu possa encontrar o consolo de Cristo e a paz interior que só ele pode dar.
Repare que a oração não pede que o perdão exista: pede a coragem de ir buscá-lo, e a paz de quem já foi.
O Oriente que ele nunca alcançou
Aos dezesseis anos, Leopoldo entrou no convento com um sonho muito específico na cabeça.
Ele queria ir para o Oriente. Queria dedicar a vida a aproximar de novo os cristãos do Oriente e a Igreja Católica, separados havia séculos. Era o projeto da vida dele, e ele pediu isso aos superiores muitas vezes, ao longo de décadas.
Nunca foi autorizado. A saúde dele era frágil demais para uma missão daquele tipo, e sempre havia trabalho onde ele já estava.
Então ele passou a vida inteira a poucos metros de onde tinha começado, numa cidade da Itália, sem nunca chegar ao lugar para onde queria ir.
A frase que ele disse sobre isso
E aqui está o melhor da história dele, com uma frase que o próprio Papa citou no dia em que o declarou santo.
Diante do Oriente que não vinha, Leopoldo disse: toda a alma que pede o meu ministério será, entretanto, o meu Oriente.
Ou seja: ele não desistiu do sonho, e não ficou amargo. Ele mudou o mapa. Se não podia ir até as pessoas, cada pessoa que se ajoelhasse ao lado dele seria a viagem.
Quem já teve um plano de vida negado e precisou continuar assim mesmo entende essa frase melhor do que qualquer explicação.
Quarenta anos numa cela pequena
O trabalho dele era ouvir confissões, e ele fez isso durante décadas, muitas horas por dia, numa cela minúscula em Pádua.
Não pregou multidões, não fundou obra nenhuma, não escreveu livro. Ficou sentado, ouvindo, um de cada vez, gente comum, todos os dias.
Ficou conhecido por não expulsar ninguém e por não humilhar ninguém, o que naquele tempo, e em qualquer tempo, é mais raro do que parece. A oração que se reza a ele guarda exatamente isso: jamais recusastes o perdão a quem se aproximava arrependido.
O que o Papa disse ao canonizá-lo
Na homilia da canonização, em 1983, João Paulo II descreveu Leopoldo sem suavizar nada.
Disse que ele não foi senão um pobre frade, que vivia na humildade de uma pequena cela-confessionário, e que era pequeno e adoentado, com saúde muito frágil.
E então acrescentou a frase que explica por que ele está nos altares: nesta pobreza de uma vida exteriormente insignificante, vem o Espírito e suscita uma nova grandeza, a de uma heroica fidelidade a Cristo.
É raro um papa usar as palavras insignificante e pobre frade para descrever alguém que ele acabou de declarar santo. E é justamente esse o ponto.
Quando se reza a São Leopoldo Mandic
Reza-se antes de se confessar, principalmente quando faz muito tempo e bate a vergonha de voltar. É a intercessão mais própria dele.
Reza-se por padres confessores, e por quem tem o trabalho de escutar gente o dia inteiro.
Reza-se por doentes com câncer, padroado que ele recebeu e que combina com a vida dele.
E reza-se quando um plano de vida não sai do papel. A resposta dele a isso cabe numa linha: o Oriente virou a pessoa seguinte da fila.