Quem foi São José de Anchieta
José de Anchieta, o Padre Anchieta que dá nome a ruas, escolas e cidades no Brasil inteiro, nasceu em 19 de março de 1534, na ilha de Tenerife, nas Canárias.
Entrou para os jesuítas aos dezessete anos e chegou ao Brasil em 1553, com dezenove. Ficou aqui pelos quarenta e quatro anos seguintes, até morrer, em 9 de junho de 1597.
Foi um dos fundadores de São Paulo e do Rio de Janeiro, escreveu a primeira gramática da língua tupi e é chamado de Apóstolo do Brasil.
O Papa Francisco, o primeiro papa jesuíta da história, o canonizou em 3 de abril de 2014.
A oração a São José de Anchieta
O texto rezado a ele é curto e direto:
São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil, Poeta da Virgem Maria, intercede por nós hoje e sempre. Dá-nos a disponibilidade de servir a Jesus como tu o serviste nos mais pobres e necessitados. Protege-nos de todos os males do corpo e da alma e, se for vontade de Deus, alcança-nos a graça que agora te pedimos.
Repare no segundo título que a oração dá a ele: Poeta da Virgem Maria. Não é enfeite. Vem de uma história concreta, e é a mais impressionante da vida dele.
O poema que ele escreveu na areia
Em 1563, Anchieta ficou cerca de cinco meses entre os tamoios, na região onde hoje é Ubatuba, durante uma negociação de paz. Estava sem liberdade e sem papel.
Foi ali que ele começou a compor um poema em latim dedicado a Maria. E, como não tinha onde escrever, escrevia na areia da praia com um graveto.
Só que a maré subia e apagava tudo.
Então ele passou a decorar o que escrevia, todos os dias, verso por verso, enquanto o poema crescia. Quando finalmente voltou, meses depois, sentou e passou tudo para o papel, de memória.
O resultado tem milhares de versos. As fontes variam entre cinco e seis mil, e é apontado como um dos maiores poemas marianos já escritos.
Vale parar nisso um instante. Um homem preso, sem papel, escrevendo na areia um poema que a água apagava todo dia, e guardando tudo na cabeça durante meses.
A primeira gramática do tupi
A outra obra dele mudou a história da língua no Brasil.
Anchieta escreveu a primeira gramática da língua mais falada na costa brasileira, o tupi. Antes dele, aquilo era só língua falada, sem regra escrita e sem registro.
Para evangelizar, ele precisou primeiro aprender e organizar a língua de quem ia ouvir. E, para ensinar outros a fazerem o mesmo, escreveu a gramática.
É um detalhe que diz muito sobre o método dele: em vez de exigir que o outro falasse a língua dele, aprendeu a do outro e a colocou por escrito.
Ele também escreveu peças de teatro em tupi, em português e em espanhol, muitas vezes misturando as três, para apresentar nas aldeias e nas vilas.
Apóstolo do Brasil
O título não veio de decisão oficial. Veio do povo.
Quando ele morreu, em 1597, foi aclamado assim durante a missa de corpo presente, e o nome ficou.
São José de Anchieta é hoje reconhecido como padroeiro do Brasil junto com os outros padroeiros do país, e é também padroeiro dos catequistas, o que faz sentido: foi isso que ele fez a vida inteira.
A festa é em 9 de junho, dia da morte dele.
Quando se reza a São José de Anchieta
Reza-se em 9 de junho, o dia dele.
Reza-se por catequistas e por professores, que são o público mais próprio dele.
Reza-se por quem trabalha com gente de outra cultura ou de outra língua, porque foi o que ele fez, e fez aprendendo em vez de impondo.
E reza-se quando falta condição para fazer o que precisa ser feito. Ele escreveu na areia porque não tinha papel, e o poema chegou até nós assim mesmo.