Quem foi São João Clímaco
São João Clímaco foi um monge cristão do século VI, ligado ao mosteiro do Monte Sinai, no deserto onde a tradição situa a entrega das tábuas da Lei a Moisés. Ele nasceu na Palestina e, aos dezesseis anos, deixou a cidade natal para entrar em um mosteiro daquela serra.
O nome pelo qual ficou conhecido não é sobrenome de família: vem do grego klimax, que quer dizer escada, por causa do livro que escreveu.
A vida, com as datas
Ele passou dezenove anos de vida monástica sob a direção de um monge idoso chamado Martírio, aprendendo o ofício da oração e da obediência antes de assumir qualquer coisa.
Aos sessenta anos foi eleito, por unanimidade, abade geral dos monges e eremitas que viviam na região do Monte Sinai. Foi nessa condição que escreveu a obra que carregaria o nome dele pelos séculos seguintes.
A Escada do Paraíso
A Escada do Paraíso foi escrita a pedido dos monges do Mosteiro de Santa Catarina, no Sinai, e virou referência de vida monástica e de busca de santidade.
O livro tem trinta degraus, e a escada é a imagem da subida da alma rumo à perfeição cristã. A doutrina é explicada degrau por degrau, com as dificuldades que aparecem em cada etapa e o modo de superá-las, até chegar ao amor de Deus.
Trinta degraus, vale dizer, correspondem aos trinta anos de vida escondida de Jesus antes do início da pregação. A obra atravessou o cisma entre Oriente e Ocidente e continua sendo lida nos dois lados.
O que existe hoje
O Mosteiro de Santa Catarina, no Sinai, segue de pé e é um dos mais antigos do mundo cristão em funcionamento contínuo. A Escada do Paraíso continua editada em português e é usada em retiros, seminários e leituras de Quaresma.
Quando a Igreja celebra
A festa é em 30 de março, tanto no Oriente quanto no Ocidente. É uma das poucas datas em que os dois calendários coincidem sem discussão, e isso diz bastante sobre o peso do personagem.
Coisas que pouca gente sabe
Ele só escreveu o livro depois dos sessenta anos, ou seja, depois de quase quatro décadas de silêncio monástico. O nome de família dele se perdeu, e ficou o apelido tirado do próprio livro. E a obra é lida por católicos e ortodoxos com o mesmo respeito, o que é raríssimo em texto espiritual antigo.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde a Escada do Paraíso com a Escada Santa que fica em Roma, os degraus que a tradição liga ao pretório de Pilatos. São coisas diferentes: uma é um livro do século VI, a outra é uma relíquia.
Também há quem imagine que a obra seja só para monges. Os trinta degraus tratam de raiva, mentira, vaidade, preguiça e perdão, que não são assuntos exclusivos de mosteiro.
Como e quando rezar
A devoção a ele combina com quem está tentando mudar de vida aos poucos e se frustra com a lentidão. A imagem da escada existe justamente para isso: ninguém sobe trinta degraus de uma vez, e voltar um degrau não anula a subida inteira.
A leitura de um degrau por dia, na Quaresma, é o uso mais comum da obra no Brasil.