Quem é São Gregório Nazianzeno
São Gregório Nazianzeno é um dos três grandes Capadócios, ao lado de São Basílio Magno e de São Gregório de Nissa. Os três formaram, no século IV, o grupo que fixou o vocabulário com que a Igreja fala da Trindade até hoje.
Ele viveu de 329 a 390 e recebeu um apelido que quase nenhum santo tem: o Teólogo. Não era elogio genérico, e sim reconhecimento pelos discursos que fez sobre o mistério de Deus.
A origem, com as datas
O contexto é o mesmo em que Basílio lutou: a heresia ariana, que negava a plena divindade do Filho, e a discussão que se estendia ao Espírito Santo.
Gregório era amigo de Basílio, e os dois trabalharam juntos nessa defesa. Enquanto participava do segundo Concílio Ecumênico, em 381, em Constantinopla, foi eleito bispo daquela cidade e assumiu a presidência do próprio Concílio.
O Concílio de 381
Aquele Concílio é um dos mais importantes da história cristã, e é dele que vem a parte do Credo que se reza na Missa sobre o Espírito Santo.
Foi ali que a Igreja reconheceu formalmente a divindade do Espírito Santo, completando a profissão de fé trinitária. Gregório presidiu essa reunião, e é por isso que o apelido de Teólogo faz sentido histórico, e não apenas honorífico.
O que existe hoje
Ele é Doutor da Igreja e figura de primeira grandeza tanto para católicos quanto para ortodoxos, que o veneram entre os maiores Padres.
Na Igreja Católica de rito latino, a memória dele é celebrada em 2 de janeiro, junto com São Basílio Magno, o amigo com quem dividiu a luta doutrinal. É raro dois santos dividirem a festa por causa de uma amizade de trabalho.
Onde visitar
Na Turquia, a Capadócia é o endereço histórico: foi de lá que saíram os três Capadócios, e a paisagem de templos escavados na rocha vem daquela tradição.
Em Roma, parte das relíquias dele está na Basílica de São Pedro. No Brasil, a devoção aparece em comunidades de rito oriental e no estudo dos Padres da Igreja.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 2 de janeiro, celebrada junto com São Basílio Magno. Ele morreu em 390.
Coisas que pouca gente sabe
A parte do Credo sobre o Espírito Santo, rezada em toda Missa dominical, vem do Concílio que ele presidiu, em 381. Quem reza aquelas linhas está repetindo o resultado de uma reunião conduzida por este santo.
Outro dado: ele renunciou ao cargo de bispo de Constantinopla durante o próprio Concílio, para não alimentar a disputa entre facções. Preferiu sair a ser motivo de divisão, e voltou à vida retirada.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde os três Gregórios importantes da Igreja antiga: Gregório Nazianzeno, Gregório de Nissa e Gregório Magno, este último Papa e do século VI. São três santos distintos.
Também se supõe que o título Teólogo seja usado para muitos santos. Na tradição da Igreja, ele é aplicado quase exclusivamente a ele.
E há quem imagine que o Credo é todo do Concílio de Niceia. A parte sobre o Espírito Santo vem do Concílio de Constantinopla, de 381, e é por isso que o texto completo se chama Credo niceno-constantinopolitano.
Como e quando rezar
Reza-se a São Gregório Nazianzeno por quem estuda e ensina a fé, por clareza para explicar o que se acredita e por unidade onde há disputa. É também o santo de quem prefere sair de um cargo a alimentar briga.
Em 2 de janeiro, um modo simples é rezar o Credo com atenção na parte sobre o Espírito Santo, lembrando de onde ela veio. Pedir por professores de religião e catequistas combina com ele.