Quem é São Gonçalo Garcia
São Gonçalo Garcia é o santo que a história do Brasil colonial adotou como próprio, e a razão está na origem dele: era mestiço, filho de pai português e mãe indiana.
Nasceu em 1556 em Baçaim, na Índia portuguesa. Deixou a cidade para se tornar frade da Ordem de São Francisco em Manila, nas Filipinas, e de lá partiu para o Japão em 1593, como intérprete dos missionários e como pregador.
O martírio em Nagasaki
Em 5 de fevereiro de 1597, na colina dos mártires em Nagasaki, foi crucificado e atravessado por duas lanças que atingiram o coração dele. Tinha quarenta anos.
Ele morreu no mesmo grupo de São Paulo Miki e companheiros, os mártires do Japão, e é com eles que a Igreja o celebra, em 6 de fevereiro. Foi canonizado em 1862, pelo Papa Pio IX.
Conta-se que o braço dele foi arrancado do corpo e levado como relíquia para o convento franciscano de Santo Antônio, na cidade natal dele, a fortificada Baçaim.
O primeiro santo pardo das Américas
Aqui está a parte brasileira, e ela diz muito sobre a religiosidade do país.
No Brasil colonial, as irmandades eram organizadas por condição social e por cor, e as de homens pardos livres escolheram São Gonçalo Garcia como padroeiro. A razão foi identificação direta: os fundadores eram pardos, e o santo também era mestiço, filho de português com indiana.
Em Vitória, no Espírito Santo, a Irmandade de São Gonçalo Garcia foi fundada em 1707 por homens pardos livres, e o templo deles foi consagrado em 6 de novembro de 1766. Continua de pé, no bairro Cidade Alta.
Aquele templo ficou conhecido popularmente como o dos casamentos duradouros e felizes, e a origem dessa fama não é clara nos registros.
O que existe hoje
A devoção continua viva onde as irmandades deixaram raiz: no Espírito Santo, em Minas Gerais e em outras regiões de forte presença de irmandades coloniais.
A memória dele também é celebrada pelos franciscanos, que o contam entre os mártires do Japão da própria ordem.
Onde visitar
No Brasil, o endereço é a Igreja de São Gonçalo Garcia, em Vitória, no Espírito Santo, na Cidade Alta: obra de uma irmandade de homens pardos do século XVIII.
Fora do Brasil, o roteiro passa por Baçaim, na Índia, onde nasceu, e por Nagasaki, no Japão, onde morreu, na colina dos mártires.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 6 de fevereiro, junto com São Paulo Miki e companheiros mártires do Japão. Ele morreu em 5 de fevereiro de 1597, e a data do calendário é a do grupo todo.
Coisas que pouca gente sabe
Ele foi ao Japão primeiro como intérprete. A habilidade com línguas, que veio da origem mestiça e do trânsito entre culturas, foi o que abriu caminho para a missão dele.
Outro dado: a canonização veio em 1862, mais de dois séculos e meio depois da morte. Quando isso aconteceu, as irmandades brasileiras já o cultuavam como padroeiro havia mais de cem anos.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde São Gonçalo Garcia com São Gonçalo do Amarante, o santo português das casadas e dos violeiros, e com o município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. São devoções diferentes, e a base tem página própria para a outra.
Também se supõe que ele era português. Nasceu em Baçaim, na Índia portuguesa, de mãe indiana, e é apontado como o primeiro santo pardo das Américas justamente pelo que a devoção brasileira fez do nome dele.
E há quem imagine que ele foi missionário isolado. Morreu no grupo dos mártires do Japão, com São Paulo Miki e companheiros, num martírio coletivo.
Como e quando rezar
Reza-se a São Gonçalo Garcia por quem vive entre dois mundos, por intérpretes, tradutores e migrantes, e por quem sofre preconceito por origem ou cor. É também a devoção histórica das irmandades de pardos.
Em 6 de fevereiro, um modo simples é rezar pelos missionários no Japão e na Ásia, e por alguém da sua cidade que carregue o peso de ser tratado como de fora.