Quem é São Francisco de Borja
São Francisco de Borja é o santo que trocou um ducado por uma batina, e o dado que faz a história dele impressionar é a altura de onde ele veio.
Era duque de Gandia, vice-rei da Catalunha, casado e pai de oito filhos, e bisneto do Papa Alexandre VI, da poderosa família Borja. Nasceu em 1510.
A origem, com as datas
Depois da morte da esposa, renunciou aos títulos em favor do filho primogênito e fez-se jesuíta. Não foi gesto de retiro do mundo: foi troca de posto, e o novo posto acabou sendo tão grande quanto o antigo.
Em 1565 foi eleito terceiro Superior Geral da Companhia de Jesus, e governou por sete anos. Nesse período, a ordem passou de cerca de mil jesuítas para bem mais do que o dobro, com a entrada de milhares de novos membros, e expandiu as missões na Índia e nas duas Américas. Morreu em 1572, ao voltar enfraquecido de uma viagem, e foi canonizado em 1671, pelo Papa Clemente X.
O nome dele no Brasil: São Borja
Aqui está a ligação brasileira, e ela é de primeira ordem: São Borja, no Rio Grande do Sul, tem esse nome em honra a este santo.
A redução jesuítica de São Francisco de Borja foi fundada em 1682, com origem na redução de Santo Tomé, na atual Argentina, e é apontada como a primeira dos Sete Povos das Missões a ser construída em território que hoje é gaúcho. São Borja é o município mais antigo do Rio Grande do Sul.
Ou seja: quem fala de São Borja, das Missões ou do berço de personagens da história política brasileira está usando, sem saber, o nome de um duque espanhol do século XVI que virou jesuíta.
O que existe hoje
A Companhia de Jesus que ele governou continua sendo uma das maiores ordens da Igreja, e o Brasil é parte dessa história desde o século XVI.
No Rio Grande do Sul, o Caminho das Missões e os sítios arqueológicos das reduções mantêm viva a memória daquele projeto. Em São Borja, museus municipais e o traçado da cidade guardam o vínculo com a redução original.
Onde visitar
Na Espanha, o roteiro passa por Gandia, o ducado dele, e em Roma está a sede da Companhia, que ele governou por sete anos.
No Brasil, o endereço é São Borja, no oeste gaúcho, e o circuito das Missões, que inclui os sítios das reduções jesuíticas, entre eles São Miguel das Missões, reconhecido como patrimônio.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 3 de outubro no calendário atual da Companhia de Jesus. No calendário anterior à reforma do século XX, a festa dele era celebrada em 10 de outubro, e é por isso que fontes mais antigas trazem essa outra data.
Coisas que pouca gente sabe
Ele era bisneto de um papa, e não de um papa qualquer: Alexandre VI, da família Borja, é uma das figuras mais controvertidas da história da Igreja. O santo veio dessa mesma casa.
Outro dado: ele foi vice-rei da Catalunha antes de ser religioso. A experiência de governo civil explica em parte o que fez como geral, quando organizou províncias e estruturou missões em três continentes.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente supõe que São Borja, no Rio Grande do Sul, foi nomeada em homenagem a um fundador local. O nome vem da redução jesuítica de São Francisco de Borja, de 1682, e o santo é o duque espanhol.
Também se confunde este Francisco com São Francisco de Assis, com São Francisco Xavier e com São Francisco de Paula. São quatro santos distintos, e o acervo tem página própria para eles.
E há quem imagine que ele entrou na vida religiosa jovem e solteiro. Foi duque, casou, teve oito filhos e só depois de viúvo entrou na Companhia de Jesus.
Como e quando rezar
Reza-se a São Francisco de Borja por quem exerce cargo de poder e precisa não se perder nele, por viúvos, e por quem recomeça a vida depois de uma perda grande. É também a devoção de quem trabalha em administração dentro da Igreja.
Em 3 de outubro, um modo simples é rezar por quem governa algo, grande ou pequeno, e pedir a graça de deixar o posto no tempo certo, como ele deixou o ducado.