Quem é São Domingos de Gusmão
São Domingos nasceu em Caleruega, na Espanha, por volta de 1170, numa família nobre.
Estudou em Palência, tornou-se sacerdote e depois passou anos pregando no sul da França.
Fundou a Ordem dos Pregadores, os dominicanos, e morreu em Bolonha, na Itália, em 1221. Foi declarado santo treze anos depois.
A festa dele é 8 de agosto.
Mas o episódio que mais diz sobre ele aconteceu antes de tudo isso, quando ele ainda era estudante.
A oração a São Domingos de Gusmão
Esta é a oração rezada a ele:
São Domingos de Gusmão, nosso querido patrono, grande confessor da fé, com toda confiança venho implorar a vossa valiosa proteção. Vós, a quem Deus enriqueceu com os dons celestes, confortai o meu coração nos desalentos! Fortificai minha vontade para cumprir bem os meus deveres! Vinde orientar-me nas horas decisivas da vida! Dai-me confiança no desânimo e nos sofrimentos! Sede o meu companheiro nas horas de solidão e desconforto! Assisti-me e guiai-me na vida e na hora da minha morte, para que eu possa servir a Deus nesse mundo e viver na eternidade com Jesus Cristo, a quem tanto amastes. Amém.
Ele vendeu os próprios livros
Durante os anos de estudo, a região onde ele vivia passou por uma fome.
Domingos vendeu os livros que tinha e usou o dinheiro para socorrer os famintos.
Para entender o tamanho disso, é preciso lembrar como era um livro no século XII. Não havia impressão. Cada livro era copiado à mão, folha por folha, por um copista, em material caro. Um estudante que tivesse alguns livros tinha, ali, boa parte do patrimônio dele.
E mais: livro, para um estudante, é ferramenta de trabalho. Vender os livros é vender o instrumento com que se ganha a vida.
Ele não doou o excedente. Vendeu a base.
E depois fundou uma ordem que vive de estudar
Aqui está o contraste que faz esse episódio valer a pena.
O mesmo homem que vendeu os próprios livros criou, anos depois, uma ordem religiosa conhecida justamente pelo estudo.
Ele mandava os frades para as universidades. Queria formação séria, não improviso. A ordem que ele fundou deu à Igreja alguns dos maiores estudiosos que ela já teve.
Ou seja: não era desprezo pelo livro. Era ordem de prioridade.
O estudo existe para servir à pregação, e a pregação existe para servir às pessoas. Quando a pessoa está morrendo de fome na porta, o livro vira comida. Depois se compra outro.
A oração dele não fala de pregação
Agora leia de novo a oração e repare no que ela pede.
Confortar o coração nos desalentos. Dar confiança no desânimo e nos sofrimentos. Ser companheiro nas horas de solidão e desconforto.
Desalento, desânimo, solidão, desconforto. Quatro palavras do mesmo campo.
A oração ao fundador dos Pregadores não pede eloquência, coragem para falar em público nem sabedoria. Pede companhia para quem está desanimado.
É a oração de quem trabalha muito e não vê resultado.
Por que os pregadores eram mendicantes
Domingos fez uma escolha incomum para a época: os frades não teriam propriedades.
O raciocínio era prático. Quem tem terra, precisa cuidar da terra. Quem tem casa grande, fica preso a ela.
Ele queria gente livre para se deslocar, chegar onde precisava e ficar o tempo necessário. Pobreza, ali, não era só penitência: era mobilidade.
E o método dele com quem discordava seguia a mesma linha: ir a pé, conversar, viver com simplicidade e deixar que a diferença aparecesse pela vida, e não pela força.
Quando se reza a São Domingos de Gusmão
Reza-se em 8 de agosto, dia da festa.
Reza-se por estudantes, professores e por quem vive de estudar.
Reza-se no desânimo, que é o assunto da oração dele.
Reza-se quando é preciso escolher entre o que se guardou com esforço e alguém que precisa agora.
E reza-se por quem discorda de você e por quem você precisa convencer sem brigar.