Quem foi São Dimas
São Dimas é o bom ladrão: o homem crucificado ao lado de Jesus que se arrependeu na última hora e ouviu, ali mesmo, a promessa do paraíso.
Não se sabe nada dele além disso. Não há biografia, não há infância, não há obra. O que existe é o registro de um dia, o último, e ele bastou.
A Igreja o celebra em 25 de março, e ele é padroeiro dos presos.
A oração a São Dimas
O texto rezado começa lembrando exatamente a cena:
São Dimas, que tivestes a felicidade de ouvir dos lábios de Jesus crucificado esta palavra de salvação, hoje estarás comigo no paraíso, e que, cheio de uma grande confiança no amor misericordioso de Jesus, ousastes pedir: Senhor, lembrai-vos de mim quando entrardes em vosso Reino. E alcançastes a misericórdia e o perdão que vos transformou num santo.
Glorioso São Dimas, a vossa fé viva e a vossa contrição na hora derradeira vos valeram tamanha graça. Também nós, pobres pecadores, esperamos alcançar a divina misericórdia na vida e, sobretudo, na hora da morte.
Repare no verbo que a oração escolhe: ousastes pedir. Ele não tinha nada com que argumentar, e pediu assim mesmo.
O único santo reconhecido por Jesus em voz alta
Todo santo passa por um processo que dura anos, às vezes séculos, com investigação, documentos e decisão da Igreja.
Com Dimas não houve nada disso, e não precisou. Ele foi reconhecido diretamente, em voz alta, pelo próprio Jesus, e enquanto os dois ainda estavam vivos, pregados lado a lado.
A frase está no Evangelho de Lucas: em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso (Lucas 23, 43).
É o único caso assim em toda a história da Igreja. E o beneficiado foi um criminoso condenado, que estava ali cumprindo pena por crimes que ele mesmo admitiu ter cometido.
O que ele disse antes de ser ouvido
Vale ler a cena inteira, porque o pedido dele não é a primeira coisa que ele faz.
Havia dois condenados. Um deles blasfemava contra Jesus. O outro, Dimas, o repreendeu, e disse duas coisas antes de pedir qualquer coisa: que os dois estavam recebendo o que mereciam pelo que tinham feito, e que Jesus não havia feito mal nenhum.
Só depois disso ele pede: Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino (Lucas 23, 42).
Ou seja, ele começa admitindo a própria culpa e reconhecendo a inocência do outro. Não pede que a pena seja tirada, não alega injustiça, não promete nada. Pede só para ser lembrado.
E é a única coisa que ele pede na vida inteira de que temos registro.
O nome dele não está na Bíblia
Uma informação que vale saber, porque evita confusão.
Os Evangelhos não dizem o nome dos dois condenados. O nome Dimas veio de um texto antigo, grego, dos primeiros séculos, e a Igreja o adotou porque o povo precisava chamá-lo de alguma coisa.
Isso não muda nada do que importa. A cena está no Evangelho, com todas as palavras. O nome é o modo como a tradição passou a se dirigir a ele.
Padroeiro dos presos
O padroado dele é dos mais lógicos que existem.
São Dimas é o protetor dos presos e das penitenciárias, dos moribundos e de quem trabalha ajudando pessoas presas em vícios.
E há uma coisa que essa devoção diz com clareza, sem precisar de discurso: um condenado, no último dia da vida, entrou no paraíso. Se aquele entrou, ninguém está fora de alcance.
É por isso que a pastoral carcerária reza a ele, e é por isso que famílias de presos rezam a ele.
Quando se reza a São Dimas
Reza-se em 25 de março, o dia dele.
Reza-se por quem está preso e pela família de quem está preso, que é o padroado próprio dele.
Reza-se por quem está morrendo, pedindo o que a oração pede: a graça de um arrependimento verdadeiro na hora derradeira.
E reza-se quando bate a ideia de que é tarde demais para mudar. A resposta de Dimas a isso é a vida inteira dele em uma frase: ele mudou no último dia, e foi suficiente.