Quem é São Daniel Comboni
São Daniel Comboni é o santo da África moderna, e o que ele propôs no século XIX ainda soa avançado hoje: evangelizar o continente com africanos, formados e enviados por africanos.
Nasceu em 15 de março de 1831, em Limone sul Garda, na província de Brescia, na Itália, em família humilde de camponeses. Antes de partir, preparou-se estudando árabe, medicina e música, e foi ordenado sacerdote em 1854.
A origem, com as datas
Partiu para a África em 1857 e encontrou o que se esperava: doença, morte de companheiros e a devastação causada pelo tráfico de pessoas escravizadas. Voltou à Itália para buscar apoio, e foi nesse período que amadureceu o projeto da vida dele.
Fundou em 1867 o Instituto para as Missões da Nigrícia, hoje conhecido como Missionários Combonianos, e em 1872 o Instituto das Irmãs Missionárias Combonianas. Em 1877 foi nomeado Vigário Apostólico da África Central e ordenado bispo.
Morreu em 10 de outubro de 1881, com cinquenta anos, no meio daquele povo. Foi beatificado em 17 de março de 1996 e canonizado em 5 de outubro de 2003, na Praça de São Pedro, pelo Papa João Paulo II.
O Plano para a regeneração da África
O nome do projeto dele era Plano para a regeneração da África, e a ideia central cabe numa frase: salvar a África com a própria África.
Isso significava formar africanos como catequistas, professores, artesãos, religiosos e sacerdotes, em vez de manter o continente como território de missionários estrangeiros. Ele defendia isso em plena era colonial, quando quase todo o pensamento europeu sobre a África ia na direção oposta.
Comboni também trabalhou contra a escravidão, denunciando o tráfico, e enfrentou acusações infundadas por causa disso.
Os combonianos no Brasil
Os combonianos chegaram ao Brasil em 1952, com objetivo duplo: assumir missões e despertar a Igreja brasileira para a própria responsabilidade missionária.
As primeiras missões foram abertas no sul do Maranhão, em Balsas, e no norte do Espírito Santo, onde construíram escolas, templos e um grande seminário em Ibiraçu. Setenta anos depois, são cerca de 65 missionários combonianos no país, atuando em 14 dioceses.
As quatro prioridades declaradas deles no Brasil são a Amazônia, os afrodescendentes, as periferias urbanas e a animação missionária e vocacional.
Onde visitar
Na Itália, o roteiro passa por Limone sul Garda, onde nasceu, e por Verona, cidade do instituto que ele fundou.
No Brasil, o caminho é uma obra comboniana: há paróquias, escolas e centros missionários da congregação em 14 dioceses, com presença marcante no Espírito Santo, no Maranhão e na Amazônia.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 10 de outubro, data da morte dele, em 1881.
Coisas que pouca gente sabe
Ele estudou medicina e música antes de partir, e não por curiosidade: sabia que ia trabalhar onde não havia médico nem estrutura, e a música era instrumento de ensino e de convivência.
Outro dado: a canonização foi em 5 de outubro de 2003, e na homilia daquele dia João Paulo II disse que são necessários evangelizadores com entusiasmo e com a paixão apostólica do bispo Daniel Comboni.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde este santo com o profeta Daniel, do Antigo Testamento. São figuras distintas: Comboni é um bispo italiano do século XIX, com festa em 10 de outubro.
Também se imagina que ele foi mais um missionário europeu de mentalidade colonial. A proposta dele era o contrário disso, e é justamente o protagonismo africano que faz o nome dele ser lembrado até hoje no continente.
E há quem pense que os combonianos são presença recente no Brasil. Estão aqui desde 1952, mais de sete décadas.
Como e quando rezar
Reza-se a São Daniel Comboni por missionários, por quem trabalha em lugar difícil e longe de casa, e pela África, que ele amou até morrer nela. É também a devoção de quem enfrenta acusação injusta por defender gente sem voz.
Em 10 de outubro, um modo simples é rezar por um missionário que se conheça pelo nome e por uma causa concreta de liberdade, perto de casa.