Quem foi São Charbel
Charbel Makhlouf nasceu em 8 de maio de 1828, num povoado do Monte Líbano chamado Bekaa Kafra, e recebeu no batismo o nome de Youssef.
Entrou para a vida monástica aos vinte e três anos, adotou o nome de Charbel e viveu no Líbano até morrer, em 24 de dezembro de 1898.
Foi o primeiro libanês canonizado nos tempos modernos, pelo Papa Paulo VI, em 9 de outubro de 1977, e é padroeiro do Líbano. A Igreja o celebra em 24 de julho.
A oração a São Charbel
O texto rezado a ele é este:
Ó Deus, admirável em vossos santos, vós que inspirastes a São Charbel seguir o caminho da perfeição, lhe concedestes a graça e a força para fazer triunfar, na sua vida, o heroísmo das virtudes monásticas, a obediência, a castidade e a voluntária pobreza, e manifestastes o poder da intercessão dele, concedei-nos a graça que vos imploramos por sua intercessão.
Repare que a oração não pede a graça a Charbel: pede a Deus, dizendo que Charbel intercede. É a estrutura correta de toda oração a santo, e aqui ela aparece de forma bem visível, o que ajuda quem tem dúvida sobre esse ponto.
O que é ser católico maronita
Aqui está o que a maioria dos brasileiros não sabe, e é a informação mais útil desta página.
Charbel não era padre de rito latino, que é o rito da maior parte das paróquias do Brasil. Era maronita, e a Igreja maronita é uma Igreja católica oriental, em plena comunhão com o Papa.
Ou seja: os maronitas são católicos, reconhecem o Papa e fazem parte da mesma Igreja. O que muda é o rito, ou seja, o modo de celebrar, as orações, a língua litúrgica, o calendário e algumas disciplinas próprias.
Existem várias Igrejas católicas orientais, cada uma com a própria tradição. A maronita tem origem no Líbano, e a língua litúrgica dela guarda o siríaco, aparentado com o aramaico que Jesus falava.
Quando alguém diz que a Igreja Católica é só de rito latino, está deixando de fora uma parte inteira dela. São Charbel é a prova mais conhecida disso no Brasil.
Vinte e três anos sozinho
Charbel viveu boa parte da vida em comunidade, mas em 1875 recebeu autorização para o que mais desejava: viver como eremita, sozinho, numa ermida perto do mosteiro.
Ficou ali vinte e três anos, até morrer.
A rotina era dura e voluntária: trabalho manual, jejum, silêncio e muitas horas de oração por dia. Ele não escreveu livro nenhum, não fundou congregação e não teve cargo. A vida dele não deixou obra: deixou uma reputação.
E é justamente por isso que ele é lembrado. Numa lista de santos cheia de fundadores, teólogos e mártires, ele entra por outra porta: a de quem simplesmente rezou, com constância, por muito tempo.
Morreu no Natal, mas a festa é em julho
Um detalhe que costuma gerar dúvida.
Charbel teve um derrame em 16 de dezembro de 1898 e morreu no dia 24, véspera de Natal.
A memória dele, no entanto, é celebrada em 24 de julho no calendário da Igreja latina, e no terceiro domingo de julho no calendário maronita. O motivo é simples: 24 de dezembro é a véspera do Natal, e nenhuma memória de santo é celebrada nesse dia, porque a Igreja inteira já está voltada para outra coisa.
É por isso que ele tem duas datas, e nenhuma delas é o dia em que morreu.
Do Líbano para o Brasil
A devoção a São Charbel chegou aqui pelo mesmo caminho que trouxe tanta gente: a imigração libanesa.
O Brasil tem uma das maiores comunidades de origem libanesa do mundo, e com ela vieram as paróquias maronitas, as festas e a devoção a ele, que hoje é rezada muito além dessa comunidade.
O mesmo aconteceu no México, também por imigração maronita, a partir do século XIX.
Quando se reza a São Charbel
Reza-se em 24 de julho, o dia dele.
Reza-se por doentes, que é a intercessão mais procurada dele, e vale lembrar que rezar acompanha o tratamento, não o substitui.
Reza-se pelo Líbano e por quem tem família lá, e a Igreja o faz com frequência, porque ele é o padroeiro do país.
E reza-se quando falta constância. Ele passou vinte e três anos fazendo a mesma coisa todos os dias, e é essa a graça própria dele.