Quem é Santo Hilário
Santo Hilário de Poitiers é chamado o Atanásio do Ocidente, e a comparação diz tudo: Atanásio foi o bispo que, no Oriente, enfrentou a heresia ariana quase sozinho. Hilário fez o mesmo do lado ocidental do império.
Nasceu no começo do século IV em Poitiers, na atual França, e morreu na mesma cidade, em 367. Foi bispo dela e é Doutor da Igreja.
A origem, com as datas
O adversário dele foi o arianismo, heresia que negava a plena divindade de Cristo e, por consequência, atacava o dogma da Trindade. Era a disputa central da Igreja no século IV, e ela tinha o peso do poder imperial de um lado.
Hilário pregou e escreveu contra aquela doutrina, e pagou por isso. Em 356, por ordem do imperador Constâncio, foi exilado para a Frígia, na Ásia Menor, longe da diocese dele.
O exílio que virou proveito
O exílio durou cinco anos, e é a parte mais interessante da história. Ele não se comportou como derrotado.
Enviado ao Oriente, aproveitou o tempo para estudar grego e para conhecer de perto as comunidades cristãs mais antigas, aquelas que estavam na origem da fé. E escreveu: produziu textos contra os imperadores Constâncio e Auxêncio, redigidos justamente no período de punição.
Voltou a Poitiers mais preparado do que saiu, com o grego que não tinha e com o conhecimento direto do Oriente cristão.
O que existe hoje
Ele foi canonizado pelo Papa Pio IX e honrado com o título de Doutor da Igreja. A memória dele é celebrada em 13 de janeiro, como memória facultativa no calendário romano.
Os escritos dele sobre a Trindade continuam sendo leitura de referência para o estudo da doutrina no século IV, ao lado dos de Atanásio, de Basílio e dos dois Gregórios.
Onde visitar
Na França, o endereço é Poitiers, na região de Nova Aquitânia, onde ele nasceu, foi bispo e morreu. A cidade guarda a memória dele em templos antigos.
No Brasil, o nome aparece em paróquias e em lugares, e é comum como nome de batismo, o que mistura as buscas.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 13 de janeiro, poucos dias depois da de São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno, que travaram a mesma luta no Oriente. O calendário de janeiro reúne os defensores da Trindade quase em sequência.
Coisas que pouca gente sabe
Ele aprendeu grego no exílio, já bispo e já adulto. Foi punido com o afastamento e usou o castigo como período de estudo, o que mudou a qualidade do que escreveu depois.
Outro dado: os textos que ele produziu no exílio eram dirigidos contra os próprios imperadores que o puniram. Escrever contra quem detinha o poder de mantê-lo longe de casa é o traço mais corajoso da biografia dele.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde Hilário com Atanásio por causa do apelido. São dois santos distintos: Atanásio foi bispo de Alexandria, no Oriente, e Hilário foi bispo de Poitiers, no Ocidente. O apelido marca a semelhança da luta, não a identidade.
Também se pensa que o exílio foi punição religiosa aplicada pela Igreja. Foi ordem do imperador Constâncio, poder civil, contra um bispo que não aceitava a doutrina que o império então favorecia.
E há quem imagine que ele voltou derrotado. Voltou com grego novo, com conhecimento do Oriente e com obra escrita.
Como e quando rezar
Reza-se a Santo Hilário por quem sofre injustiça de quem tem poder, por quem estuda e ensina a fé e por quem precisa aproveitar bem um tempo de afastamento forçado.
Em 13 de janeiro, um modo simples é rezar pelos que estão longe de casa por motivo que não escolheram. Para quem estuda, pedir a ele antes de um período difícil combina com a história do exílio.