Quem é Santo Elias
Santo Elias é profeta do Antigo Testamento, e a Escritura o apresenta como um homem de fogo, tomado inteiro pelo zelo por Deus. Não escreveu livro, não fundou nada em vida e não deixou discurso longo: deixou gestos.
É um dos poucos personagens do Antigo Testamento que a piedade católica trata como santo com festa própria, e a razão está no Carmelo, monte que liga a história dele à vida religiosa até hoje.
A origem, com as datas
O episódio central acontece no Monte Carmelo, num confronto público com os profetas de Baal. Elias propõe um teste: cada lado prepara um sacrifício e pede ao seu deus que envie fogo. Antes de rezar, ele encharca o próprio altar de água, para que ninguém pudesse alegar truque, e o fogo desce.
Antes disso, pela oração dele, Deus havia negado chuva à terra por mais de três anos, e depois, no mesmo Carmelo, ele rezou pelo povo e a chuva voltou em abundância. O fim da vida dele é único na Escritura: foi arrebatado num turbilhão, num carro de fogo puxado por cavalos ardentes.
O que existe hoje
A ligação com o Carmelo produziu uma família religiosa inteira. Os fundadores da Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo começaram naquele monte um novo estilo de vida, e por isso Elias é tido como o fundador ideal da Ordem do Carmo.
O lema do Carmelo, gravado no brasão, é uma frase dele: zelei com zelo pelo Senhor, Deus dos exércitos. Carmelitas de todo o mundo celebram a festa dele em 20 de julho.
Onde visitar
O endereço é o Monte Carmelo, em Israel, sobre a cidade de Haifa, onde ficam o santuário carmelita de Stella Maris e a gruta que a tradição liga a Elias.
No Brasil, a devoção vive nos carmelos, mosteiros de clausura das carmelitas descalças, e nas paróquias carmelitas, sobretudo em julho, mês que reúne a festa dele e a de Nossa Senhora do Carmo.
Quando a Igreja celebra
Na Ordem do Carmo, a festa de Santo Elias é em 20 de julho. A data cai poucos dias depois de 16 de julho, festa de Nossa Senhora do Carmo, e as duas celebrações costumam ser vividas juntas nas comunidades carmelitas.
Coisas que pouca gente sabe
O detalhe da água no altar é o que faz o episódio do Carmelo tão forte. Ele não apenas pediu fogo: ele molhou a lenha antes, eliminando qualquer explicação natural. É um dos raros momentos da Escritura em que o profeta propõe um teste verificável.
Outro dado: depois da vitória no Carmelo, Elias entra em depressão profunda e pede a Deus para morrer. A Escritura não esconde isso, e é a passagem em que Deus o alimenta e depois fala com ele não no vento nem no fogo, mas numa brisa leve.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde Elias com o profeta Eliseu, que foi discípulo dele e recebeu o manto quando ele foi arrebatado. São dois profetas distintos, com histórias ligadas.
Também se confunde Santo Elias com São Elias, nome de várias cidades e paróquias, e com o Elias do Novo Testamento: quando João Batista aparece, muitos perguntam se ele é Elias, e Jesus responde à questão. Elias é figura do Antigo Testamento, e essa expectativa em torno dele explica a pergunta.
E há quem imagine que ele fundou a Ordem do Carmo. Os carmelitas o chamam de fundador ideal, e a expressão é precisa: o modelo é ele, mas a ordem nasceu séculos depois, no mesmo monte.
Como e quando rezar
Reza-se a Santo Elias por coragem de dizer a verdade em ambiente hostil, por chuva em tempo de seca e por quem está em desânimo profundo, porque ele também passou por isso.
Em 20 de julho, o costume nas comunidades carmelitas é a Missa da festa e a leitura das passagens do Carmelo. Em casa, ler o capítulo em que Deus fala na brisa leve, e ficar em silêncio depois, é a oração mais fiel a este profeta.