Quem é Santo André Kim Taegon
Santo André Kim Taegon é o primeiro sacerdote da Coreia, e a história dele explica algo raro no cristianismo: a Igreja coreana começou por leigos, sem missionário nenhum no país.
Nasceu em Dangjin, na Coreia, em 21 de agosto de 1821, e foi martirizado em Seul em 16 de setembro de 1846, com apenas vinte e cinco anos.
A origem, com as datas
Para se tornar sacerdote, ele precisou sair do país e estudar fora, porque na Coreia daquele tempo ser cristão era crime.
Voltou ordenado, para servir a comunidade que o havia enviado, e foi preso, torturado e executado. O martírio dele aconteceu no meio de uma das perseguições religiosas mais duras do século XIX.
Os 103 mártires
Ele não morreu sozinho, e a Igreja não o celebra sozinho. O grupo canonizado tem 103 mártires: três bispos, oito sacerdotes, e todos os demais leigos, entre eles idosos, jovens e crianças.
Os 103 foram beatificados em dois grupos, em 1925 e em 1968, e canonizados juntos em 6 de maio de 1984, em Seul, por São João Paulo II. Foi uma canonização feita fora de Roma, na terra dos próprios mártires, o que era incomum.
Entre os companheiros está São Paulo Chong Hasang, catequista leigo, e é por isso que a memória aparece frequentemente com os dois nomes juntos.
O que existe hoje
A Coreia do Sul tem hoje uma das comunidades católicas mais vivas da Ásia, com forte presença de leigos e número expressivo de vocações, inclusive missionários coreanos enviados a outros países, o Brasil incluído.
A memória desses mártires é o fundamento dessa identidade: eles são apresentados como testemunhas da fé e da identidade de um povo.
Onde visitar
Na Coreia do Sul, o roteiro passa por Seul, onde ele foi martirizado, e por Dangjin, onde nasceu.
No Brasil, o caminho é uma comunidade católica coreana, presente em São Paulo e em outras capitais, onde a memória dos mártires é celebrada com força em 20 de setembro.
Quando a Igreja celebra
A memória dos santos André Kim Taegon, Paulo Chong Hasang e companheiros mártires é em 20 de setembro.
Coisas que pouca gente sabe
A fé chegou à Coreia por livros, não por missionários. Leigos coreanos leram textos cristãos trazidos da China, se converteram e mantiveram a comunidade viva por décadas antes de terem sacerdote.
Outro dado: entre os 103 mártires, a maioria absoluta é de leigos, e há crianças e idosos no grupo. Não é história de clero: é história de povo.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente imagina que o cristianismo na Ásia foi sempre obra de missionários europeus. Na Coreia, a comunidade nasceu de iniciativa de leigos coreanos, e os primeiros mártires são deles.
Também se supõe que a canonização de 1984 aconteceu em Roma. Foi em Seul, na própria Coreia, o que era raro na época.
E há quem confunda este André com Santo André Apóstolo. São santos diferentes, e a base tem página própria para o apóstolo.
Como e quando rezar
Reza-se a Santo André Kim Taegon pelos cristãos perseguidos hoje, pelos leigos que sustentam comunidades sem padre, pelas vocações jovens e pela Coreia.
Em 20 de setembro, um modo simples é rezar por um país onde ser cristão custa caro, e por uma comunidade da sua região que fica muito tempo sem missa.