Quem foi Santo Alexandre de Alexandria
Santo Alexandre nasceu por volta do ano 250 e foi eleito bispo de Alexandria em 312, uma das sedes mais importantes do cristianismo daquele tempo, no Egito.
Nos calendários brasileiros ele aparece muitas vezes como Santo Alexandre do Egito, e é por esse nome que a maioria das pessoas o encontra.
A origem, com as datas
Ele assumiu Alexandria pouco depois do fim da grande perseguição, quando a Igreja saía das catacumbas e tinha de organizar a própria vida em público.
Governou a diocese por cerca de quinze anos, e as fontes antigas o descrevem como homem de cultura profunda, atento e bondoso. Foi nesse governo que apareceu a crise que marcaria o século.
O que Ário ensinava
Ário era presbítero em Alexandria, ou seja, padre da própria diocese dele. Passou a ensinar que somente o Pai é Deus, e que Cristo seria uma criatura superior às outras, mas não Deus.
Parece discussão de especialista, e não é. Se Cristo não é Deus, o cristianismo inteiro muda de sentido: a Encarnação, a Eucaristia, a salvação, tudo passa a significar outra coisa.
O sínodo de Alexandria
Alexandre tentou primeiro o caminho de casa: conversou, corrigiu, e depois convocou os bispos da região.
Em 321 o sínodo de Alexandria condenou a doutrina de Ário e o excluiu da comunhão da Igreja. Ário saiu da cidade, mas o ensinamento dele já corria pelo Oriente, com apoio de bispos importantes, e o problema virou maior que uma diocese.
O Concílio de Niceia, em 325
Foi Alexandre quem insistiu, junto do Papa e do imperador, para que a questão fosse tratada num concílio de toda a Igreja.
O Concílio de Niceia aconteceu em 325, e ele foi para lá com a delegação de Alexandria, que incluía um jovem diácono, Atanásio, que servia como porta-voz e depois seria o sucessor dele. O concílio definiu que o Filho é gerado do Pai desde a eternidade e é igual a ele.
Desse concílio saiu o Credo que os católicos rezam na missa de domingo. Em 2025 a Igreja celebrou os 1700 anos daquele encontro, e o nome de Alexandre está na origem dele.
Onde visitar
Alexandria, no Egito, é a cidade dele, e continua sede de patriarcado cristão até hoje. Niceia, onde foi o concílio, hoje se chama Iznik e fica na Turquia.
No Brasil não existe santuário dedicado a ele. O que existe é melhor: o Credo rezado em toda missa dominical, que é resultado direto da briga que ele começou.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 26 de fevereiro, e é a data que aparece nos calendários brasileiros e no elogio do Martirológio Romano, que o descreve como bispo cheio de zelo pela fé.
Coisas que pouca gente sabe
O discípulo ficou mais famoso que o mestre: Atanásio, que era o diácono da delegação, virou o grande nome da defesa de Niceia e é lembrado até hoje, enquanto o bispo que o formou é pouco conhecido.
Ele assumiu Alexandria depois de São Pedro de Alexandria, mártir, e o Martirológio faz questão de registrar essa sucessão.
E há o detalhe que explica o tamanho da crise: Ário não era um estranho, era padre da diocese dele, com fama de bom pregador. O problema começou dentro de casa.
O que muita gente acredita e não é verdade
Circula a ideia de que o Concílio de Niceia inventou a divindade de Cristo, e que ela foi decidida por votação política do imperador. Não foi isso: o concílio declarou como fé recebida o que as comunidades já professavam, e a discussão foi feita pelos bispos.
Outra confusão é de nome: existem vários Alexandres no calendário dos santos, inclusive mártires. O deste dia é o bispo de Alexandria, mestre de Atanásio.
Como e quando rezar
Reza-se a Santo Alexandre de Alexandria por clareza na fé, por quem estuda catequese e teologia e por quem enfrenta divisão dentro da própria comunidade.
É também o santo de quem precisa corrigir alguém próximo sem perder a caridade, porque foi essa a situação dele com um padre da própria diocese.