Quem é Santo Aleixo
Santo Aleixo é conhecido pelo apelido que ganhou entre os pobres de Edessa, na Síria: o homem de Deus. É uma das devoções antigas mais fortes de Portugal e do Brasil, e uma das que mais precisa de uma advertência antes do relato.
A história dele é transmitida como lenda antiga da Igreja, e não como crônica documentada. Isso não diminui a devoção, que é secular e legítima, mas muda como o texto deve ser lido: o que vem a seguir é tradição.
A origem, segundo a tradição
O relato situa o nascimento dele em Roma, por volta de 350, filho de um senador. Seguindo o costume da época, os pais arranjaram o casamento com uma jovem de família cristã.
Na noite do casamento, sem consumar a união, ele abandonou tudo para se dedicar a Deus. Saiu como peregrino, andou de cidade em cidade e chegou a Edessa, na Síria, onde viveu como mendigo junto à basílica dedicada ao apóstolo Tomé, repartindo com os pobres as esmolas que recebia.
Os dezessete anos sob o próprio teto
Foi em Edessa que ganhou o apelido de homem de Deus, e foi essa fama que o incomodou. Retomou a vida de peregrino para escapar dela, e os anos de privação deformaram o rosto dele.
Quando voltou a Roma, ninguém o reconheceu. Bateu na casa do próprio pai pedindo abrigo, e o senador, sem saber que era o filho, acolheu o mendigo e o alojou nas dependências dos animais. Ele viveu ali dezessete anos, maltratado pelos criados da casa, sem ser identificado pelos pais.
O que existe hoje
A devoção é antiga e difundida no mundo lusófono. No Brasil, o nome dele batiza distritos e comunidades, e em Portugal aparece em várias localidades e paróquias.
A festa é celebrada em 17 de julho, data mantida pela tradição cristã antiga.
Onde visitar
Em Roma, a basílica dos Santos Bonifácio e Aleixo, no monte Aventino, é o endereço tradicionalmente ligado a ele. Em Edessa, hoje Urfa, no sul da Turquia, está o lugar onde a tradição situa os anos de mendicância.
No Brasil, o distrito de Santo Aleixo, em Magé, no Rio de Janeiro, é o lugar mais conhecido com esse nome, e boa parte de quem busca o nome na internet está procurando o endereço.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 17 de julho, data que a tradição cristã antiga sempre manteve.
Coisas que pouca gente sabe
A devoção a ele é uma das que mais atravessou culturas: o relato aparece em versões grega, siríaca e latina, e chegou ao mundo lusófono também pelo cordel popular, junto com a colonização.
Outro detalhe que costuma passar: a parte mais dura da história não é a pobreza, é o anonimato dentro de casa. A tradição insiste que ele ouvia a mãe e a esposa chorarem pela ausência dele e escolheu não se revelar.
O que muita gente acredita e não é verdade
O ponto mais importante é o primeiro: a história é lenda antiga, e não relato documentado. A devoção é real e antiquíssima, e o enredo deve ser lido como tradição transmitida pela Igreja, não como biografia documentada.
Também se confunde o santo com o distrito de Santo Aleixo, no Rio de Janeiro, e com outros lugares de mesmo nome. Os lugares levam o nome dele.
E há quem apresente o abandono da esposa na noite do casamento como modelo de conduta. A Igreja nunca propôs isso: o que a devoção retém é o desprendimento radical dos bens e da própria reputação.
Como e quando rezar
Reza-se a Santo Aleixo por desprendimento, por quem vive na rua e por quem faz o bem sem querer ser visto. É também devoção antiga de peregrinos.
Em 17 de julho, um modo concreto e coerente é fazer uma esmola sem contar a ninguém, e rezar por alguém em situação de rua. É o gesto que mais se aproxima do que a tradição conta dele.