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Voz da Fé
Oração de Santo Agostinho: Tarde te Amei

Oração de Santo Agostinho: Tarde te Amei

7 min de leitura 10 versículos

Oração de Santo Agostinho: Tarde te Amei

Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!

Eis que habitáveis dentro de mim, e eu lá fora a procurar-Vos!

Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes.

Estáveis comigo, e eu não estava convosco!

Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria se não existisse em Vós.

Porém chamastes-me com uma voz tão forte que rompestes a minha surdez!

Brilhastes, cintilastes, e logo afugentastes a minha cegueira!

Exalastes perfume: respirei-o suspirando por Vós.

Saboreei-Vos, e agora tenho fome e sede de Vós.

Tocastes-me e ardi no desejo da Vossa paz.

Oração de Santo Agostinho: Tarde te Amei, Bíblia Sagrada

Jaculatória

Fizeste-nos para Vós, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Vós.

Liturgia

Quem foi Santo Agostinho
Santo Agostinho de Hipona foi bispo, escritor e um dos maiores pensadores da história da Igreja. Nasceu em 354 no norte da África e escreveu as Confissões, o livro em que contou a própria vida a Deus e do qual saiu o texto rezado até hoje como Oração de Santo Agostinho, o Tarde te Amei. Ele é celebrado em 28 de agosto e é conhecido como o santo que demorou trinta e um anos para dizer sim.

A história de um homem que demorou
Agostinho nasceu em 13 de novembro de 354 em Tagaste, uma cidade pequena da Numídia, no norte da África, onde hoje é a Argélia. A mãe, Mônica, era cristã e rezava por ele. O pai, Patrício, era pagão e só se batizou no fim da vida. A família não tinha dinheiro, mas juntou tudo para pagar os estudos do filho, porque ele era inteligente e todos viam isso.

Ele odiava grego, amava o teatro e, aos dezesseis anos, roubou peras de um pé vizinho sem estar com fome, só porque era proibido. Aos dezenove, um livro do romano Cícero acendeu nele a vontade de encontrar a verdade, e ele largou tudo para procurar. O problema foi onde procurou: passou nove anos num grupo religioso que prometia explicar de onde vem o mal, viveu quinze anos com uma companheira cujo nome ele nunca registrou, teve um filho, Adeodato, e foi ganhar a vida ensinando retórica em Milão.

Foi em Milão que tudo virou. Ele começou a ouvir as pregações do bispo Ambrósio pela técnica, para roubar o jeito de falar, e ficou pelo conteúdo. Em 386, num jardim, chorando debaixo de uma figueira, ouviu uma criança cantando na casa vizinha "toma e lê". Abriu a carta de São Paulo aos Romanos, leu a primeira linha em que os olhos caíram, e a briga interior acabou ali. Tinha trinta e um anos. No ano seguinte, na Vigília Pascal, foi batizado por Ambrósio junto com o filho, e a mãe estava lá, olhando.

Voltou para a África querendo silêncio e estudo. Não deu: o povo de Hipona o cercou pedindo que fosse ordenado padre, e ele chorou de medo. Quatro anos depois era bispo, e ficou trinta e cinco anos naquela cidade, pregando quase todo dia. Morreu em 28 de agosto de 430, com setenta e cinco anos, enquanto um exército cercava Hipona.

O que existe hoje
O corpo dele está na Itália, e não na África. Repousa em Pavia, na Lombardia, dentro da Basílica de San Pietro in Ciel d'Oro, que quer dizer São Pedro no Céu de Ouro, nome que vem dos mosaicos folheados a ouro do teto da abside. Os restos estão numa arca de mármore esculpida no século XIV, a Arca di Sant'Agostino, e foram levados para essa basílica em 7 de outubro de 1900, vindos da catedral da mesma cidade.

O caminho até ali foi longo. No começo do século VI, bispos africanos foram exilados na Sardenha e levaram consigo os restos de Agostinho, para protegê-los. Da Sardenha, séculos depois, eles seguiram para Pavia. É por isso que o corpo de um africano do século V descansa hoje no norte da Itália.

Em Hipona, onde ele foi bispo, existe outra basílica com o nome dele, construída no alto do monte, ao lado das ruínas da cidade antiga. Ela foi concluída em 1909 e reabriu em 19 de outubro de 2013, depois de três anos e meio de restauração.

Onde visitar
São três lugares, e cada um conta uma parte da história.

Pavia, na Itália, é onde está o túmulo. A Basílica de San Pietro in Ciel d'Oro fica no centro histórico da cidade, a menos de uma hora de trem de Milão, o que a torna uma visita possível num único dia para quem estiver na Lombardia. A arca de mármore fica atrás do altar, e o teto dourado da abside vale a subida do olhar.

Annaba, na Argélia, é a antiga Hipona. A Basílica de Santo Agostinho fica na entrada da cidade moderna, no monte, com vista para o mar e para as ruínas romanas onde ele foi bispo. Dezenas de milhares de pessoas a visitam todos os anos.

Souk Ahras, também na Argélia, é a antiga Tagaste, onde ele nasceu. É a menos visitada das três e a mais silenciosa.

No Brasil não há santuário dedicado a ele, mas há paróquias e colégios com o nome dele, muitos ligados à Ordem de Santo Agostinho, e é neles que a festa de 28 de agosto é celebrada com mais força.

Quando a Igreja o celebra
A memória de Santo Agostinho é em 28 de agosto, o dia em que ele morreu, e há um detalhe do calendário que vale conhecer: no dia anterior, 27 de agosto, a Igreja celebra Santa Mônica, mãe dele. São dois dias seguidos, primeiro a mãe que rezou por anos, depois o filho que voltou.

E é justamente no dia 28 que a Igreja reza o Tarde te Amei. O texto é a segunda leitura do Ofício das Leituras, uma das horas da Liturgia das Horas, que é a oração que a Igreja reza ao longo do dia. Nessa hora se lê a Escritura e depois um texto dos santos e dos Padres da Igreja, e nesse dia o texto é o dele, unido a um trecho do livro VII das Confissões. Ou seja: quando você reza essa oração, você está rezando o que a Igreja inteira reza naquele dia.

Se você quiser rezar numa data, essa é a melhor: na véspera com a família, pedindo por alguém que se afastou, e no dia seguinte agradecendo.

Coisas que pouca gente sabe
Na basílica dedicada a ele em Annaba, na Argélia, a grande maioria dos visitantes é muçulmana. Agostinho é figura respeitada no país onde nasceu, num lugar onde os católicos são pouquíssimos.

Os vândalos queimaram Hipona depois da morte dele, mas a catedral e a biblioteca de Agostinho foram poupadas do fogo. É por isso que a obra dele chegou até nós.

Nos últimos dias de vida, ele mandou pregar nas paredes do quarto os salmos que pedem perdão, para poder lê-los deitado. Quem contou isso foi Possídio, um amigo que viveu com ele e escreveu sua biografia.

O nome dos lugares mudou, e isso confunde quem procura no mapa: Tagaste, onde ele nasceu, hoje é Souk Ahras, e Hipona, onde foi bispo, hoje é Annaba, as duas na Argélia.

O que muita gente acredita e não é verdade
Três coisas circulam com o nome dele e merecem correção.

A primeira é a mais compartilhada. A oração que começa em "A morte não é nada", muito enviada em velórios, não é de Santo Agostinho. Foi escrita por Henry Scott Holland, um clérigo inglês, num sermão pregado em Londres em 1910, quase mil e quinhentos anos depois da morte dele. O texto continua consolador, e quem o rezou de coração não rezou em vão: só o autor é outro.

A segunda é uma preposição. Oração de Santo Agostinho é a que ele escreveu. Oração a Santo Agostinho é a que se dirige a ele, pedindo intercessão. As duas existem, e quase todo site as publica embaralhadas.

A terceira aparece em páginas grandes. Circula uma versão longa, em oito blocos, creditada como "Confissões 10, 27-29". Aquele texto não é a passagem do livro X: é uma composição que costura o Tarde te Amei com o relato da conversão, que está no livro VIII, mais frases de outras partes. O texto desta página é a passagem do livro X, capítulo 27, sem acréscimos.

Como e quando rezar
Esta oração serve para quem está voltando. Repare que ela não pede nada: ela reconhece uma demora. Por isso cabe bem em quatro momentos. Quando alguém retoma a fé depois de anos longe e não sabe como começar a conversa. Quando você reza pela conversão de uma pessoa que ama e já cansou de esperar. Na preparação para a confissão, porque ela diz em voz alta o que costuma ficar preso na garganta. E naquela noite em que a inquietação aparece sem motivo e a gente percebe que ela tem nome.

Reze devagar, um verso por vez, sem pressa de terminar. Se puder, em voz alta: o texto foi escrito em primeira pessoa e funciona quando você o assume como fala sua, não como fórmula decorada. E não tenha pressa na primeira linha. Ela já é a oração inteira.

Peça sua oração

Deixe aqui o seu pedido ou agradecimento, todas as intenções serão apresentadas de forma comunitária durante as orações do Grupo de Oração, Voz da Fé.

"E tudo o que pedirem em oração, crendo, vocês receberão"

Mateus 21:22

Como Rezar Oração de Santo Agostinho: Tarde te Amei

1.Prepare-se

Encontre um lugar tranquilo. Faça o sinal da cruz e silencie o coração.

2.Pela manhã

Reze ao acordar como escudo espiritual para o dia. Peça proteção para você e sua família.

3.À noite

Antes de dormir, recite a oração completa pedindo proteção durante o sono e paz noturna.

4.Em família

Reúna a família e rezem juntos. Cada membro pode participar da oração.

5.Com devoção

Reze com fé e confiança, entregando suas necessidades a Deus.

Perguntas Frequentes

Fontes e Referências