Quem foi Madre Teresa de Calcutá
Ela se chamava Anjezë Gonxhe Bojaxhiu, nasceu em 26 de agosto de 1910, em Skopje, de família albanesa, e aos dezoito anos entrou para as Irmãs de Loreto, que a mandaram para a Índia.
Foi professora em Calcutá durante quase vinte anos, e é ali que a história dela costuma começar a ser contada, mas ela ainda ia mudar de vida.
Morreu em 5 de setembro de 1997, aos oitenta e sete anos. Foi canonizada pelo Papa Francisco em 4 de setembro de 2016, e a Igreja a celebra em 5 de setembro.
A oração que inverte todos os pedidos
A oração mais conhecida dela é uma lista de pedidos, e o que ela faz com cada um é a razão de ela ser inesquecível:
Senhor, quando eu tiver fome, dai-me alguém que necessite de comida. Quando tiver sede, dai-me alguém que precise de água. Quando sentir frio, dai-me alguém que necessite de calor. Quando tiver um aborrecimento, dai-me alguém que necessite de consolo. Quando minha cruz parecer pesada, deixai-me compartilhar a cruz do outro. Quando me achar pobre, ponde a meu lado alguém necessitado. Quando não tiver tempo, dai-me alguém que precise de alguns dos meus minutos. Quando sofrer humilhação, dai-me ocasião para elogiar alguém. Quando estiver desanimada, dai-me alguém para lhe dar novo ânimo. Quando sentir necessidade de que cuidem de mim, dai-me alguém que eu tenha de atender. Quando pensar em mim mesma, voltai minha atenção para outra pessoa.
Percebeu o que ela faz?
Em nenhuma linha ela pede o que está faltando. Com fome, não pede comida: pede alguém com mais fome. Sem tempo, não pede tempo: pede alguém que precise dos minutos dela.
É uma oração inteira construída ao contrário, e ela não é ingênua. Não diz que a fome ou o cansaço não existem. Diz o que fazer com eles: em vez de olhar para dentro da falta, olhar para o lado.
Três Teresas, três santas diferentes
Vale esclarecer, porque a confusão é frequente e existem três santas com esse nome.
Madre Teresa de Calcutá é esta, do século XX, fundadora das Missionárias da Caridade. As outras duas são a espanhola do século XVI, que reformou o Carmelo, e a francesa do século XIX, conhecida no Brasil como Santa Terezinha. Cada uma tem página própria aqui.
E há uma ligação bonita entre elas. Ao entrar na vida religiosa, Anjezë escolheu o nome Teresa em homenagem à francesa, que é padroeira das missões. Ou seja: o nome pelo qual o mundo inteiro a conhece foi uma homenagem que ela fez a outra santa.
O chamado dentro do chamado
Em 10 de setembro de 1946, no trajeto para o retiro anual, aconteceu o que ela mesma descreveu como um chamado dentro do chamado.
A expressão é exata e vale reparar nela. Ela já era religiosa havia dezoito anos, já tinha respondido a um chamado e estava cumprindo. O que veio naquele dia foi um segundo pedido dentro do primeiro: deixar o colégio e ir viver entre os mais pobres de Calcutá.
Ela pediu autorização, deixou as Irmãs de Loreto e fundou as Missionárias da Caridade, que existem até hoje em dezenas de países.
Quem acha que já respondeu ao seu chamado e sente que está sendo puxado para outro lugar encontra aqui uma companhia rara.
Quase cinquenta anos sem sentir a presença de Deus
Depois da morte dela, as cartas que escreveu aos seus diretores espirituais foram reunidas num livro chamado Vem, sê minha luz, organizado pelo padre que conduzia o processo de canonização dela.
O que está ali surpreendeu o mundo. A partir dos anos 1950, logo depois de fundar a congregação, Madre Teresa entrou no que a tradição espiritual chama de noite escura: a sensação de que Deus não estava mais ali. E isso durou, com poucos intervalos, até a morte dela, quase cinquenta anos depois.
É preciso ler isso com precisão, porque é fácil errar. Ela não deixou de acreditar: continuou rezando todos os dias, continuou indo à Missa, continuou falando de Deus e continuou catando gente da rua para morrer com dignidade. O que faltou foi o sentimento da presença, não a fé.
Sentir e crer não são a mesma coisa, e a vida dela é o argumento mais forte que existe a favor dessa distinção.
E há um detalhe que diz muito sobre a Igreja: quem publicou essas cartas foi o próprio postulador da causa dela, e ela foi canonizada mesmo assim. O escuro não foi escondido. Foi apresentado como parte da santidade dela.
O Nobel da Paz e a canonização
Em 1979 ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz, o que a tornou conhecida no mundo inteiro e trouxe atenção e recursos para o trabalho das Missionárias da Caridade.
Em 4 de setembro de 2016, o Papa Francisco a canonizou na Praça de São Pedro.
Entre uma coisa e outra, ela seguiu fazendo o que fazia antes de ser famosa: cuidar de quem ninguém ia buscar.
Quando se reza a Madre Teresa de Calcutá
Reza-se em 5 de setembro, o dia dela.
Reza-se por quem cuida de doente terminal e de gente em situação de rua, que foi a obra da vida dela.
Reza-se quando a fé fica seca e a oração parece não chegar a lugar nenhum, e nisso ela tem uma autoridade que quase nenhum santo tem: passou quase cinquenta anos assim e não parou.
E reza-se com a própria oração dela quando bater autopiedade, porque é exatamente para isso que aquele texto foi feito: em vez de pedir o que falta, pedir alguém a quem servir.