Quem foi Santa Teresa d'Ávila
Teresa nasceu em Ávila, na Espanha, em 28 de março de 1515, e entrou para as carmelitas ainda jovem. No convento ela usava outro nome, o nome religioso: Teresa de Jesus. É por ele que a liturgia a chama até hoje.
Antes de qualquer outra coisa, ela foi uma mulher que aprendeu a rezar e depois passou a vida ensinando os outros a rezar. Foi por isso que a Igreja acabou lhe dando um título que nenhuma mulher tinha recebido antes.
Uma observação necessária, porque a confusão é comum: Santa Teresa d'Ávila não é Santa Terezinha. São duas santas diferentes, de países e séculos diferentes, e cada uma tem a sua página aqui.
A oração Nada te perturbe
A oração mais conhecida dela é um poema curto, e o texto é este:
Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa, Deus não muda, a paciência tudo alcança; quem a Deus tem, nada lhe falta: só Deus basta.
São nove linhas e nenhum pedido. Repare nisso: a oração não pede nada. Ela afirma.
E tem um detalhe concreto que quase ninguém conta. Teresa carregava esse texto escrito à mão num pedaço de papel, e usava o papel para marcar as páginas do breviário, o livro de orações que ela abria todo dia. Ou seja: era o marcador de livro dela. Ela lia aquilo várias vezes por dia, sem procurar.
O que ela quis dizer com só Deus basta
Essa última linha costuma ser lida errado, como se fosse desprezo pelas coisas da vida. Não é.
A frase é a conclusão de uma conta que vem antes dela. Tudo passa: as coisas boas e as ruins têm prazo. Deus não muda: só ele fica igual. A paciência tudo alcança: quem espera chega. Quem a Deus tem, nada lhe falta.
Só depois de dizer tudo isso é que ela conclui: então só Deus basta.
Não é uma ordem para largar a vida. É o resultado de quem já viveu bastante e reparou no que sobrou quando o resto passou.
Por isso essa oração cabe tão bem em quem está ansioso. Ela não manda parar de sentir medo. Ela diz o que fazer com o medo: lembrar que aquilo tem prazo.
A mulher que reformou o Carmelo
Teresa não passou a vida escrevendo em silêncio. Ela viajou a Espanha inteira abrindo casa nova.
Em 1562 fundou em Ávila o primeiro convento da reforma, e dali até morrer fundou dezessete mosteiros de mulheres e treze de homens. Isso numa época em que viajar era lento, caro e perigoso, e em que uma mulher que insistia costumava ser vista como problema.
Ela também escreveu. O Livro da Vida, o Caminho de Perfeição e o Castelo Interior, também chamado de As Moradas, são até hoje leitura obrigatória para quem quer entender a oração cristã, e estão entre os grandes textos da língua espanhola.
A primeira mulher Doutora da Igreja
Teresa foi canonizada em 12 de março de 1622, pelo Papa Gregório XV.
Trezentos e quarenta e oito anos depois, em 27 de setembro de 1970, o Papa Paulo VI a proclamou Doutora da Igreja. Foi a primeira mulher a receber esse título em toda a história.
Doutor da Igreja não é elogio: é um reconhecimento formal de que o que aquela pessoa escreveu ensina a fé para todos os cristãos, e não só para o tempo dela. Até 1970, a lista só tinha homens.
A noite em que dez dias sumiram do calendário
Aqui está a coisa mais espantosa da vida dela, e ela não tem nada de lenda.
Teresa morreu na noite de 4 de outubro de 1582. E o dia seguinte àquela noite não foi 5 de outubro. Foi 15.
O motivo é que 1582 é o ano em que a Europa católica trocou o calendário juliano, que estava atrasado em relação ao sol, pelo calendário gregoriano, que é o que a gente usa até hoje. Para acertar a conta, foi preciso apagar dez dias de uma vez. E os dias escolhidos foram exatamente de 5 a 14 de outubro de 1582. Eles nunca existiram.
Teresa morreu na única noite da história em que isso aconteceu. Por isso as fontes antigas divergem entre dizer que ela morreu em 4 e em 15 de outubro: as duas datas apontam para a mesma noite.
E é por isso que a festa dela é em 15 de outubro, e não em 4.
Quando se reza a Santa Teresa d'Ávila
Reza-se na ansiedade, que é o motivo mais comum de alguém procurar o Nada te perturbe. A oração é curta de propósito e foi feita para ser decorada.
Reza-se quando alguma coisa está demorando, porque a linha central dela é a paciência tudo alcança.
Reza-se pedindo para aprender a rezar, que é a especialidade dela e o que a fez Doutora da Igreja.
Reza-se em 15 de outubro, o dia da memória.
E vale o conselho prático que vem da própria história: ela deixava o texto escrito num papel, no lugar onde passava os olhos todo dia. Funciona igual hoje.