Quem é Santa Tecla
Santa Tecla é uma das figuras mais veneradas do Oriente cristão e uma das menos conhecidas no Brasil. A tradição a apresenta como discípula de São Paulo, jovem de Icônio, cidade da Ásia Menor, que ouviu a pregação do apóstolo e mudou o rumo da própria vida.
Antes de contar a história, é preciso dizer de onde ela vem, porque isso muda como se lê tudo o que vem depois.
A fonte, e por que isso importa
Tecla não aparece na Bíblia. A única fonte sobre a vida dela é um livro chamado Atos de Paulo e Tecla, escrito provavelmente no século II e tido como apócrifo, ou seja, não recebido pela Igreja como Escritura.
Isso não faz dela invenção: significa que o que se conta sobre ela vem da tradição cristã antiga, e não do texto sagrado. O livro circulou muito no Oriente, em grego, siríaco, copta e armênio, e é citado por Padres da Igreja, o que mostra o tamanho da veneração que ela tinha. A honestidade sobre a fonte é parte do respeito pela devoção.
A origem, com o que o texto conta
Segundo o relato, quando Paulo chegou a Icônio, Tecla tinha dezoito anos e estava prometida em casamento a um homem chamado Tamire. Ela ouviu a pregação do apóstolo e decidiu dedicar a vida ao Evangelho, rompendo o compromisso.
O texto tem duas partes, e a segunda se chama justamente O Martírio de Tecla. É dela que vem a veneração como virgem e mártir, e o costume oriental de chamá-la de primeira mártir entre as mulheres.
O que existe hoje
A devoção é muito mais forte no Oriente cristão e no mundo mediterrâneo do que no Brasil. Em Portugal, o nome dela batiza lugares, e há tradições locais antigas, sobretudo no norte.
A memória está no Martirológio Romano em 23 de setembro, data já registrada no Martirológio atribuído a Beda, no século VIII. Em algumas tradições, ela é invocada como padroeira dos agonizantes, ou seja, de quem está na hora da morte.
Onde visitar
Na Turquia, o endereço histórico é Icônio, hoje Konya, cidade onde a tradição situa o encontro dela com São Paulo. Em Silifke, no sul do país, há um sítio antigo ligado ao culto dela.
Em Portugal, o nome aparece no norte do país, e no Brasil ela é lembrada sobretudo por comunidades de tradição oriental e por quem estuda a Igreja antiga.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 23 de setembro, conforme o Martirológio Romano.
Coisas que pouca gente sabe
A veneração a ela é anterior à maioria das devoções que hoje são muito mais populares. O texto que conta a história dela é do século II, o que a coloca entre as figuras cristãs mais antigas fora da Escritura.
Outro dado que costuma surpreender: no Oriente ela é tratada com um título de honra reservado a pouquíssimas figuras femininas, o de primeira mártir entre as mulheres, o que dá a medida do lugar que ela ocupava na Igreja antiga.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente supõe que ela apareça nos Atos dos Apóstolos, junto com as viagens de Paulo. Não aparece: o livro que conta a história dela é outro, do século II, e é apócrifo.
Também se confunde Santa Tecla com nomes parecidos de outras tradições e com lugares que levam esse nome em Portugal e na Espanha.
E há quem trate o caráter apócrifo da fonte como se invalidasse a devoção. A Igreja distingue as duas coisas: o texto não é Escritura, e a veneração é antiga e legítima, com memória no Martirológio Romano.
Como e quando rezar
Reza-se a Santa Tecla por quem precisa de coragem para mudar de vida contra a vontade da própria família, e por quem está na hora da morte, pelo padroado antigo sobre os agonizantes.
Em 23 de setembro, um modo simples é rezar por alguém que está morrendo, nomeando a pessoa. Rezar pelos que enfrentam pressão familiar por causa da fé é o segundo costume ligado a ela.