Quem é Santa Rosa de Lima
Santa Rosa de Lima nasceu em Lima, no Peru, em 1586, e morreu em 24 de agosto de 1617, aos 31 anos.
Ela não fundou ordem, não foi missionária e não saiu do lugar onde nasceu. Viveu com a família, num quarto simples, e passou a vida cuidando de doentes e de gente pobre que batia na porta da casa.
Entrou na Ordem Terceira dominicana, que é o ramo em que leigos seguem a regra de uma ordem religiosa sem sair do mundo.
E é a primeira pessoa nascida na América a ser canonizada.
A oração de Santa Rosa de Lima
A oração da Missa do dia é esta:
Ó Deus, que inspirastes à Santa Rosa de Lima, inflamada de amor, deixar o mundo e vos servir através de uma vida simples e austera, concedei-nos, por sua intercessão, seguir na terra os vossos caminhos e participar, junto com Santa Rosa e todos os santos, do vosso convívio no céu. Amém.
A festa é dia 23 porque o dia 24 já tinha dono
Aqui está a parte que quase ninguém sabe.
A festa de um santo costuma cair no dia da morte dele. É a lógica do calendário: o dia em que a pessoa deixou esta vida é o dia em que a Igreja Católica a celebra.
Rosa morreu em 24 de agosto.
Mas o dia 24 de agosto já era de São Bartolomeu, apóstolo. E a data de um apóstolo não se mexe.
Então a festa dela ficou na véspera: 23 de agosto.
Agora a parte que fecha a história. A tradição dominicana guarda que Rosa passava todo dia 24 de agosto em oração, e chamava aquela data de o dia das suas núpcias eternas.
Foi exatamente nesse dia que ela morreu.
Ou seja: ela morreu no dia que ela mesma tinha escolhido chamar assim, e é justamente por causa desse dia que a festa dela é no dia anterior.
O nome dela não era Rosa
No batismo ela se chamou Isabel Flores de Oliva.
Rosa é apelido de infância, que pegou e ficou, e foi com ele que a Igreja Católica a canonizou.
Repare no sobrenome de batismo: Flores.
E repare no que ela fazia para ajudar a sustentar a casa: cultivava e vendia flores, além de fazer bordados.
A menina chamada Flores virou a santa chamada Rosa e passou a vida vendendo flores. Não é símbolo inventado depois: está no nome de registro dela e no trabalho das mãos dela.
A primeira pessoa nascida na América a ser canonizada
Rosa foi beatificada em 1667 e canonizada em 1671, pelo Papa Clemente X.
Antes dela, os santos reconhecidos pela Igreja Católica tinham nascido todos do outro lado do oceano.
Ela foi declarada padroeira de Lima, depois do Novo Mundo e das Filipinas, e é padroeira da América Latina.
Vale pensar no que isso significou para o continente. Cinquenta e quatro anos depois da morte de uma mulher que nunca saiu da própria cidade, Roma disse que a santidade também nascia aqui.
Ela cuidava de gente dentro da própria casa
Rosa separou um cômodo da casa da família para receber doentes, gente idosa e pessoas sem recursos que chegavam da rua.
Não era hospital nem instituição: era um quarto na casa dos pais.
É por isso que no Peru ela é lembrada como quem começou, na prática, o trabalho de assistência aos pobres.
E é o que faz dela uma santa fácil de imitar: o que ela fez cabe dentro de uma casa comum, com o que a pessoa tem à mão.
Quando se reza a Santa Rosa de Lima
Reza-se em 23 de agosto, dia da festa. Em alguns lugares, como o Peru, a data celebrada é 30 de agosto.
Reza-se por quem cuida de doente dentro de casa, sem estrutura e sem ajuda, que foi exatamente a vida dela.
Reza-se por quem sustenta a família com trabalho manual.
E reza-se quando bate a sensação de que é preciso ir longe para fazer alguma coisa que preste, porque ela não foi a lugar nenhum.