Quem é Santa Quitéria
Santa Quitéria é uma mártir da Península Ibérica cuja devoção atravessou séculos e oceanos. Chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses e ficou forte no Nordeste, onde dá nome a cidades, paróquias e romarias.
O padroado dela é bem específico e explica a força da devoção no interior: é invocada contra a raiva, contra a mordida de cão e contra a raiva do gado, e também contra a angústia e a depressão.
A origem, e o cuidado com as datas
Aqui é preciso honestidade. Os relatos sobre a vida dela são tardios, e as fontes disponíveis divergem de forma grosseira: uma situa o nascimento no ano 120 e o martírio em 477, o que é impossível na mesma vida, e há tradições que celebram a festa em 8 de junho em vez de 22 de maio.
O que as fontes sustentam juntas é o essencial: uma jovem mártir ligada à região de Bracara Augusta, hoje Braga, no norte de Portugal, cuja veneração como mártir se firmou por volta do século VII, quando o povo começou a atribuir milagres à intercessão dela.
O relato tradicional
A tradição transmite que ela era filha de um governador romano da região e que foi condenada à morte por não renunciar à fé. Depois de decapitada, conta o relato, ela teria tomado a própria cabeça nas mãos e caminhado até a cidade vizinha, onde caiu e foi sepultada.
Esse tipo de relato aparece em várias narrativas antigas de mártires, e deve ser lido como o que é: tradição transmitida pela devoção popular, e não crônica de arquivo.
O que existe hoje
O nome dela se difundiu em Portugal, na Espanha e na França, e chegou ao Brasil pela colonização. Existem municípios brasileiros chamados Santa Quitéria, e ela é padroeira de cidades em Minas Gerais e no Nordeste, com festa e romaria próprias.
Em regiões de criação de gado, a devoção manteve o sentido antigo: pede-se por rebanho saudável e por proteção contra a raiva animal.
Onde visitar
Em Portugal, a região de Braga é o berço da devoção, e o nome dela aparece em capelas e festas do Minho.
No Brasil, o caminho é a paróquia que a tem como padroeira. Em Esmeraldas, em Minas Gerais, ela é a padroeira da cidade, e a festa de maio organiza o calendário local.
Quando a Igreja celebra
A data corrente no Brasil e em Portugal é 22 de maio. Há registro de tradições que celebram em 8 de junho, e essa divergência acompanha a devoção há séculos.
Cada comunidade que a tem como padroeira mantém a própria data e a própria novena, e é ali que se confirma o dia.
Coisas que pouca gente sabe
O padroado contra a angústia e a depressão é o menos conhecido e o mais atual. A devoção antiga juntava o corpo e a alma no mesmo pedido: proteção contra a doença que ataca o juízo, e é por isso que ela é invocada por quem sofre de angústia.
Outro dado: a proteção contra a raiva não era simbólica. Antes da vacina, mordida de cão era sentença, e a devoção a Santa Quitéria era o recurso que as famílias tinham. Isso explica a intensidade da devoção em zona rural.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente conhece o nome pelas cidades chamadas Santa Quitéria, no Ceará e no Maranhão, sem saber que existe a santa. Os municípios levam o nome dela.
Também se toma o relato da cabeça carregada como fato histórico. É tradição, do tipo que aparece em muitas narrativas antigas de mártires, e a página trata assim de propósito.
E há quem apresente datas exatas de nascimento e morte dela como se fossem seguras. Não são: as fontes se contradizem, e é mais honesto dizer isso do que escolher uma versão.
Como e quando rezar
Reza-se a Santa Quitéria por proteção contra doença contagiosa, por quem foi mordido por animal, pelo rebanho da família e por quem atravessa angústia ou depressão.
Em 22 de maio, o costume nas comunidades que a têm como padroeira é a novena e a procissão. Em casa, uma oração pela saúde do corpo e da cabeça, dita com a intenção nomeada, é a forma mais simples de recorrer a ela.