Quem foi Santa Maria Goretti
Maria Goretti foi uma menina italiana, filha de camponeses muito pobres.
Ficou órfã de pai cedo e passou a ajudar a mãe, Assunta, a cuidar da casa e dos irmãos menores enquanto a família trabalhava na roça.
Morreu no começo do século XX, com onze anos e meio, vítima de um crime cometido por um vizinho.
Foi beatificada pelo Papa Pio XII em 27 de abril de 1947 e canonizada pelo mesmo Papa em 24 de junho de 1950. A Igreja a celebra em 6 de julho.
A oração de Santa Maria Goretti
O texto rezado é este, e vale reparar que ele é dirigido a Deus:
Deus nosso Pai, Santa Maria Goretti foi capaz de perdoar àquele que lhe fez mal e que lhe tirou a vida. Dai-me a graça de saber perdoar, dai-me perdoar mais do que ser perdoado. Dai-me, também, pela intercessão de Santa Maria Goretti, pureza de coração e retidão de intenções. Perdoai, Senhor, meus pecados e recriai em mim um espírito novo. Amém.
Santa Maria Goretti, rogai por nós.
Maria, Virgem digna de louvor, rogai por nós.
O que ela disse antes de morrer
Ela não morreu na hora. Ficou ainda um tempo consciente, e nesse tempo lhe perguntaram se perdoava o homem que a havia ferido.
A resposta dela é o motivo de esta página existir:
Sim, perdoo pelo amor de Jesus, e quero que ele também venha comigo ao paraíso.
Leia devagar, porque são duas coisas, e a segunda é maior que a primeira.
Perdoar já seria muito para uma criança de onze anos, com dor, sabendo que ia morrer.
Mas ela não parou no perdão. Ela disse que queria a companhia dele no céu. Ou seja, desejou para o agressor o melhor destino que se pode desejar para alguém.
Não é resignação, e não é esquecimento. É querer o bem de quem fez o mal, que é a definição mais exata de perdão cristão que existe.
O que aconteceu com o homem que a matou
O nome dele era Alessandro Serenelli. Foi preso e cumpriu uma pena longa.
Durante anos não demonstrou arrependimento. A mudança veio depois, na prisão, e ele mesmo contou que ela começou com um sonho em que via Maria.
Ao sair, foi até a casa da mãe dela.
Pediu perdão.
Depois disso, entrou para um convento de frades capuchinhos, onde ficou trabalhando como jardineiro e servente até o fim da vida. Morreu aos oitenta e sete anos.
O homem que tirou a vida dela passou as últimas décadas da própria vida dentro de um convento.
A mãe que perdoou
A parte mais difícil dessa história não é a da menina. É a da mãe.
Quando Alessandro apareceu na porta pedindo perdão, Assunta Goretti tinha diante de si o homem que havia matado a filha dela.
E respondeu assim: se minha filha, em seu leito de morte, te perdoou, eu também te dou meu perdão.
Vale medir o peso disso. Ela não perdoou porque esqueceu, nem porque o tempo curou. Perdoou porque a filha já tinha perdoado, e ela não quis ficar aquém da própria filha.
Depois daquele dia, os dois participaram juntos da Missa de Natal na mesma comunidade.
O dia em que os dois estavam na mesma praça
Em 24 de junho de 1950, o Papa Pio XII declarou Maria Goretti santa.
Alessandro Serenelli estava presente na celebração.
Pare um instante nessa imagem, porque ela não tem paralelo: numa praça cheia, a Igreja proclamava santa uma menina, e no meio da multidão estava o homem que a havia matado, vivo, livre, convertido e frade, assistindo àquilo.
A mãe dela também estava lá.
É a única canonização da história em que o assassino da santa assistiu à cerimônia.
O que a oração pede
Repare no que o texto rezado pede, porque ele é sóbrio e vai direto ao ponto.
Ele é dirigido a Deus Pai, e não a ela: quem reza pede a Deus, lembrando o que ela conseguiu fazer.
Pede a graça de saber perdoar, e vai além, com uma frase que desmonta qualquer cálculo: dai-me perdoar mais do que ser perdoado.
Pede pureza de coração e retidão de intenções, que é aquilo que o Evangelho chama de bem-aventurança dos puros de coração.
E termina pedindo um espírito novo, o que é reconhecer que perdoar assim não é força de vontade: é graça.
Quando se reza a Santa Maria Goretti
Reza-se em 6 de julho, o dia dela.
Reza-se quando é preciso perdoar alguém e não se consegue, que é a intenção central desta devoção.
Reza-se por famílias que carregam uma ferida antiga, das que ninguém quer nomear na mesa.
Reza-se pelas crianças e pelos adolescentes, e por quem cuida deles.
E reza-se pelos presos e por quem trabalha em prisão, lembrando o que mudou dentro de uma cela nesta história.