Quem foi Santa Maria Bertilla Boscardin
Ela nasceu Ana Francisca Boscardin, em 6 de outubro de 1888, em Brendola, na província de Vicenza, no norte da Itália. A família era de camponeses pobres.
Bertilla é o nome que ela recebeu na vida religiosa, e é por ele que o mundo a conhece. A história dela caberia em uma frase: uma moça sem estudo virou enfermeira e cuidou de soldados feridos numa guerra que ninguém queria.
A origem, com as datas
Aos 17 anos ela entrou no convento das Irmãs Mestras de Santa Doroteia Filhas dos Sagrados Corações, congregação de Vicenza, e passou a se chamar Maria Bertilla.
Ali estudou e se formou enfermeira, o que não era comum para uma moça daquela origem. Foi destinada ao hospital de Treviso, e é nesse hospital que a vida dela ganha o tamanho que tem.
O hospital de Treviso e a guerra
Quando a Primeira Guerra Mundial chegou, Treviso ficou na linha de frente das operações militares, e o hospital passou a receber soldados feridos em série.
Foi ali que ela se destacou: cuidava dos feridos com técnica de enfermeira e com paciência de quem não desiste de ninguém. Quando a cidade se tornou alvo direto, o hospital precisou ser transferido, e ela seguiu com os doentes.
Quem trabalhou perto dela contou depois a mesma coisa: disposição que não acabava, e nenhuma reclamação.
A morte aos 34 anos
Ela morreu em 20 de outubro de 1922, em Treviso, com 34 anos, em consequência de um tumor.
O corpo dela está na casa-mãe da congregação, em Vicenza, e a sepultura raramente fica vazia: gente com doença na família continua indo rezar ali.
A paróquia que leva o nome dela em Curitiba
Aqui está o material brasileiro, e ele é bonito. No Bairro Alto, em Curitiba, foi inaugurada em 1975 a capela de Santa Bertila, construída com a ajuda dos moradores da região e da própria família Boscardin, a família da santa italiana.
No ano seguinte, o então arcebispo de Curitiba, Dom Pedro Fedalto, elevou o templo a paróquia. Ela fica na Rua José de Oliveira Franco, no Bairro Alto.
As Doroteias, a congregação dela, também estão no Brasil: mantêm comunidade em São Luís, no Maranhão, e em Benevides, no Pará, onde há uma escola com o nome Santa Maria Bertilla.
Onde visitar
Na Itália, o roteiro passa por Vicenza, onde está a casa-mãe da congregação e o corpo dela, e por Brendola, a cidade em que nasceu. Treviso é o terceiro ponto, por causa do hospital.
No Brasil, o endereço é a Paróquia Santa Bertila, em Curitiba, e a festa de 20 de outubro celebrada ali.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 20 de outubro, dia da morte dela.
O Papa Pio XII a declarou beata em 1952. O Papa João XXIII a canonizou em 11 de maio de 1961, na festa da Ascensão do Senhor.
Coisas que pouca gente sabe
O nome dela aparece de duas formas: Bertilla, com dois L, como no italiano, e Bertila, com um L, na forma que entrou nos calendários brasileiros. É a mesma pessoa.
A família Boscardin ajudou a construir a capela de Curitiba, em 1975: uma família italiana participando de uma obra em bairro de periferia no Brasil, por causa de uma parente canonizada.
E há a conta da vida curta: entre o dia em que entrou no convento e o dia em que morreu passaram 17 anos. Metade da vida dela foi como religiosa, e o trabalho que a tornou santa aconteceu em pouco mais de uma década.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente imagina que ela morreu na guerra, cuidando de feridos. Não foi: a guerra terminou em 1918, e ela morreu em 1922, de tumor, quatro anos depois.
Outra confusão é achar que Bertila e Bertilla são duas santas diferentes, o que acontece porque as duas grafias circulam nos calendários. É uma só.
Como e quando rezar
Reza-se a Santa Maria Bertilla Boscardin por enfermeiros, técnicos de enfermagem, cuidadores e por quem trabalha em hospital, especialmente em plantão pesado.
É também a oração de quem tem doente grave em casa e de quem enfrenta tumor ou câncer, por causa da própria doença dela.