Quem foi Santa Margarida de Cortona
Santa Margarida de Cortona é uma das santas com a biografia mais humana do calendário católico. Nasceu em Alviano, na Itália, em 1247, e viveu boa parte da juventude como companheira de um jovem nobre, com quem teve um filho, fora do casamento.
Para a sociedade da época, isso a colocava numa posição bem definida: mulher apontada, sem lugar respeitável na cidade.
A virada
A morte violenta do companheiro mudou tudo. Margarida ficou sem proteção, sem casa e com uma criança, e foi nesse ponto que a vida dela virou do avesso.
Ela procurou os frades franciscanos de Cortona e pediu para ser aceita na Ordem Terceira, o ramo dos leigos. Não foi imediato: a comunidade hesitou, e ela teve de insistir.
A vida, com as datas
Em 1277 fez voto de pobreza e passou a viver como irmã da Ordem Terceira Franciscana. O filho foi entregue aos cuidados dos franciscanos, na cidade de Arezzo, para estudo e formação.
Ela se dedicou ao cuidado dos doentes e dos pobres de Cortona, e a fama de santidade cresceu ainda em vida. Morreu em 22 de fevereiro de 1297.
O Papa Bento XIII a canonizou em 16 de maio de 1728, e a data escolhida para a memória dela foi o dia da morte.
De quem ela é padroeira
O padroado dela diz muito sobre a história que viveu: é invocada pelos falsamente acusados, pelos sem-teto, pelas pessoas em sofrimento mental e pelos órfãos. É a santa de quem carrega julgamento alheio nas costas.
Quando a Igreja celebra
A festa é em 22 de fevereiro, dia da morte dela, em 1297. A memória é celebrada com força na família franciscana, sobretudo entre os leigos da Ordem Terceira, que reconhecem nela a prova de que aquele ramo sempre foi pensado para gente comum, com vida comum e passado comum.
Onde visitar
O endereço é Cortona, na Toscana, cidade onde ela viveu a segunda metade da vida e onde o corpo é venerado. A cidade é pequena, murada e muito visitada por quem faz roteiro pela Toscana.
Coisas que pouca gente sabe
A comunidade franciscana hesitou em aceitá-la, e ela precisou insistir para entrar na Ordem Terceira. O filho dela foi criado pelos franciscanos em Arezzo. E ela foi canonizada mais de quatrocentos anos depois de morrer, o que mostra como esse tipo de história demorava a ser reconhecido.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde esta santa com Santa Margarida de Antioquia, a mártir do século IV ligada às grávidas, ou com Santa Margarida Maria Alacoque, do Sagrado Coração. São três santas diferentes, de séculos diferentes.
Também há quem trate a história dela como conto de arrependimento moralista. A tradição franciscana faz o contrário: apresenta uma mulher que foi acolhida na condição em que estava, com filho e passado, e que encontrou lugar na Igreja a partir dali.
Como e quando rezar
É santa de mãe solteira, de quem sofre com o que a vizinhança fala, de quem perdeu companheiro de forma violenta e de quem quer recomeçar depois de uma escolha que a família condena. Também é rezada por quem cuida de doente e por quem está sem casa.