Quem é Santa Josefina Bakhita
Josefina Bakhita nasceu em 1869 numa aldeia do Sudão, na região de Darfur.
Ainda criança, foi sequestrada e escravizada. Foi vendida várias vezes, de dono em dono, e sofreu por anos.
Muito depois, já na Itália, foi batizada, tornou-se religiosa e passou o resto da vida numa comunidade, cuidando das tarefas simples da casa e atendendo quem batia na porta.
Foi canonizada em 2000, e é padroeira das vítimas do tráfico de pessoas.
A oração de Santa Josefina Bakhita
Esta é a oração rezada a ela:
Ó Santa Josefina Bakhita, que, desde menina, foste enriquecida por Deus com tantos dons e a Ele correspondeste com todo o amor, olha por nós. Intercede junto ao Senhor para que cresçamos no Seu amor e no amor a todas as criaturas humanas, sem distinção de idade, de raça, de cor ou de situação social. Que pratiquemos sempre, como tu, as virtudes da fé, da esperança, da caridade, da humildade, da castidade e da obediência. Amém.
O nome dela foi dado por quem a sequestrou
Aqui está o dado que muda tudo nesta história.
Bakhita não é o nome que os pais dela escolheram.
O trauma do sequestro foi tão grande que a menina esqueceu o próprio nome. Ela não sabia mais como se chamava.
Bakhita é o nome que os homens que a raptaram deram a ela. É palavra árabe, e quer dizer afortunada.
Leia de novo: os traficantes chamaram de afortunada a criança que acabavam de arrancar da família.
E ela ficou com esse nome
Anos depois, quando foi batizada na Itália, recebeu novos nomes: Josefina Margarida.
Ela podia ter deixado o outro para trás. Ninguém a obrigaria a carregar pelo resto da vida a palavra escolhida por quem a vendeu.
Mas Bakhita continuou ali, no fim do nome dela.
É assim que ela é chamada hoje no mundo inteiro, e é assim que a Igreja Católica a canonizou.
Aquilo que era marca de quem a comprou virou o nome de uma santa. A palavra não mudou: mudou quem manda no sentido dela.
A oração pede o contrário do que fizeram com ela
Agora leia de novo o pedido central da oração.
Ela pede que cresçamos no amor "a todas as criaturas humanas, sem distinção de idade, de raça, de cor ou de situação social".
Idade, raça, cor e situação social.
São exatamente as quatro coisas que foram usadas contra ela. Era criança, era negra, era africana e não tinha posição nenhuma. Cada uma dessas quatro palavras é uma das razões pelas quais alguém achou que podia vendê-la.
A oração dela pede que ninguém mais seja tratado assim.
O dia 8 de fevereiro tem duas coisas
A memória litúrgica dela é 8 de fevereiro.
E, desde 2015, essa mesma data é o Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, instituído pelo Papa Francisco.
Não é coincidência: a data foi escolhida por causa dela.
Vale entender o tamanho disso. O tráfico de pessoas não é assunto de século passado, e o dia existe porque continua acontecendo, inclusive no Brasil, com trabalho forçado e exploração de gente sem saída.
O perdão que ela disse ter
Contam que um estudante perguntou a ela o que faria se reencontrasse os homens que a sequestraram.
A resposta que ficou registrada é que ela se ajoelharia e beijaria as mãos deles, porque, sem tudo aquilo, não teria chegado aonde chegou.
É uma frase difícil de ouvir, e ninguém precisa entendê-la de primeira.
Ela não diz que o que fizeram com ela foi bom. Diz que aquilo não teve a última palavra sobre a vida dela, e é isso que ela devolve a quem reza pedindo a intercessão dela.
Quando se reza a Santa Josefina Bakhita
Reza-se em 8 de fevereiro, dia da memória e do Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas.
Reza-se por quem está preso a um trabalho de onde não consegue sair.
Reza-se por quem carrega uma marca posta por outra pessoa, e acha que vai ser aquilo para sempre.
E reza-se pedindo os olhos que a oração pede: os que enxergam gente onde os outros só enxergam mercadoria.