Quem é Santa Joana de Chantal
Santa Joana Francisca de Chantal é a santa das viúvas, e o título tem base em biografia, não em símbolo: ela ficou viúva aos vinte e oito anos, com seis filhos para criar, e é dali que a história dela começa de verdade.
Nasceu em Dijon, na França, em 28 de janeiro de 1572, em família nobre e cristã. Aos vinte anos casou-se com Cristóvão de Rabutin, barão de Chantal, e educou os filhos com cuidado.
A origem, com as datas
A viuvez precoce a deixou sozinha com a casa e as crianças. Foi nesse período que ela conheceu Francisco de Sales, então bispo e depois santo e Doutor da Igreja, e o escolheu como diretor espiritual.
Aquela direção espiritual é uma das amizades mais conhecidas da história da Igreja, e dela nasceu uma obra. Depois de nove anos de viuvez, ela se recolheu a um convento, e no ano seguinte, em 1610, fundou com Francisco de Sales a Congregação da Visitação de Santa Maria, destinada à assistência aos doentes.
O que ela construiu
O número é o que impressiona: ela fundou oitenta e sete casas da Visitação antes de morrer. Não era fundadora de nome: percorria, organizava, formava e mantinha o espírito de serviço em cada uma.
Morreu em 13 de dezembro de 1641, em Moulins, cercada pelas religiosas que ela mesma havia formado. Foi beatificada em 1751, por Bento XIV, e canonizada em 1767, pelo Papa Clemente XIII.
O que existe hoje
A Ordem da Visitação continua existindo, e é dentro dela que aconteceu, décadas depois, um dos episódios mais importantes da devoção católica: as visões do Sagrado Coração recebidas por Santa Margarida Maria Alacoque, no convento da Visitação de Paray-le-Monial.
Ou seja: a ordem que esta viúva fundou é a mesma de onde saíram as primeiras sextas-feiras e as doze promessas do Sagrado Coração.
Onde visitar
Na França, o roteiro passa por Dijon, onde nasceu, por Annecy, ligada a São Francisco de Sales e à fundação da ordem, e por Moulins, onde morreu.
No Brasil, existem mosteiros e colégios da Visitação, e é neles que a data de agosto é celebrada com mais peso.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 12 de agosto. Ela é padroeira das mães, das viúvas e das obras de caridade, e a data costuma reunir esses três públicos nas comunidades da Visitação.
Coisas que pouca gente sabe
A ordem dela nasceu para uma finalidade que hoje surpreende: assistência aos doentes, com religiosas que saíssem do convento para visitar enfermos. Era proposta incomum para mulheres consagradas naquele tempo, e a resistência que enfrentou é parte da história da fundação.
Outro dado: ela fundou oitenta e sete casas sendo mãe de seis filhos e tendo começado a vida religiosa depois dos trinta e sete anos. A obra dela é toda de segunda metade da vida.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente supõe que as fundadoras de ordens religiosas entraram no convento jovens e solteiras. Ela foi esposa, mãe de seis filhos e viúva antes de tudo isso, e a santidade dela passa por essas etapas, não apesar delas.
Também se confunde Joana de Chantal com Santa Joana d'Arc, que é outra santa francesa, do século XV, e já está na base com página própria.
E há quem atribua a fundação da Visitação apenas a São Francisco de Sales. Foram os dois, e foi ela quem percorreu a França abrindo as casas.
Como e quando rezar
Reza-se a Santa Joana de Chantal por viúvas, por mães que criam filhos sozinhas e por quem começa algo grande depois dos quarenta. É também a devoção de quem procura direção espiritual e não sabe a quem pedir.
Em 12 de agosto, um modo simples é rezar por uma viúva que se conheça pelo nome. Para quem perdeu o cônjuge recentemente, a história dela é o consolo mais concreto do calendário.