Quem é Santa Isabel de Portugal
Santa Isabel nasceu em 1271, filha dos reis de Aragão, e foi dada em casamento muito jovem ao rei Dom Dinis de Portugal.
Foi rainha por décadas, teve dois filhos, e ficou conhecida no país inteiro como a Rainha Santa.
A festa dela é 4 de julho.
E o que a tornou santa não foi o que ela construiu, e sim o que ela conseguiu impedir.
A oração a Santa Isabel de Portugal
A oração da Missa deste dia é esta:
Senhor nosso Deus, autor da paz e amigo da caridade, que destes a Santa Isabel de Portugal o dom de reconciliar os homens desavindos, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de trabalhar ao serviço da paz, para podermos ser chamados filhos de Deus. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Ela morreu no meio de uma missão de paz
Em 1336, já viúva e com sessenta e cinco anos, Isabel soube que o filho e o genro estavam em rota de guerra.
Um era rei de Portugal. O outro, rei de Castela. Ou seja: não era briga de família apenas, era briga entre dois reinos, com exércitos de verdade.
Ela pegou a estrada para se meter no meio.
Não chegou a ver o fim. Morreu em Estremoz, no caminho, enquanto mediava o acordo.
Guarde a cena: uma senhora de sessenta e cinco anos, numa viagem difícil, indo tentar impedir uma guerra entre o próprio filho e o próprio genro. E morrendo no exercício disso.
O que ela fazia era mediar
Essa não foi a primeira vez.
A nota oficial da liturgia diz que ela agiu como anjo da paz dentro da família e dentro do reino, e a expressão não é enfeite: ela se meteu, mais de uma vez, entre partes que iam se enfrentar.
Vale entender por que isso é raro numa biografia de santo.
Fazer caridade é dar alguma coisa a quem não tem. Mediar é outra coisa: é ficar entre dois lados que estão certos de si, ouvir os dois, e não agradar nenhum.
Quem media não sai querido. Sai desconfiado dos dois lados.
Ela fez isso a vida inteira, e foi assim que morreu.
A oração cita uma bem-aventurança
Volte à oração e repare no fim do pedido: "a graça de trabalhar ao serviço da paz, para podermos ser chamados filhos de Deus".
Essa expressão não é da oração: é do Evangelho. Está nas bem-aventuranças, onde Jesus diz que os que promovem a paz serão chamados filhos de Deus.
A liturgia pegou a frase e a colocou no dia dela.
E note o verbo escolhido no pedido: trabalhar. Não é sentir paz, não é ter paz, não é desejar paz. É trabalhar ao serviço dela, que é o que se faz numa estrada, aos sessenta e cinco anos, indo falar com dois exércitos.
O que ela fez quando ficou viúva
Depois da morte do marido, Isabel distribuiu os bens que tinha entre os pobres.
Entrou para a Ordem Terceira franciscana, que é o ramo em que leigos seguem a regra franciscana sem sair do mundo, e passou a viver junto a um mosteiro em Coimbra, fundado por ela.
Ou seja: teve poder, teve dinheiro e teve corte, e escolheu terminar a vida sem nada disso.
Quando se reza a Santa Isabel de Portugal
Reza-se em 4 de julho, dia da festa.
Reza-se em briga de família, especialmente quando ela já dividiu todo mundo em dois lados.
Reza-se por quem tem o papel ingrato de mediar: em casa, no trabalho, na comunidade.
Reza-se por quem ficou viúvo e precisa recomeçar sozinho.
E reza-se por quem está velho e ainda tem uma coisa importante para fazer, porque foi na estrada que ela terminou.