Quem foi Santa Inês
Inês era romana, de família nobre, e morreu em 21 de janeiro do ano 304, durante a perseguição do imperador Diocleciano. Tinha por volta de treze anos.
Ela havia decidido consagrar a vida a Deus e não recuou disso, mesmo quando a decisão passou a custar caro. Foi denunciada como cristã e condenada, e não voltou atrás.
É uma das mártires mais antigas e mais veneradas da Igreja, e o nome dela está na Missa desde os primeiros séculos.
A oração do dia dela
A oração que a Igreja reza em 21 de janeiro é curta e diz a coisa mais importante sobre ela:
Deus eterno e todo-poderoso, que escolheis as criaturas mais frágeis para confundir os poderosos, dai-nos, ao celebrar o martírio de Santa Inês, a graça de imitar sua constância na fé.
Repare no argumento. A oração não diz que ela era forte. Diz que Deus escolhe os frágeis justamente para confundir os poderosos, e apresenta uma menina de treze anos como prova.
E o que se pede não é coragem nem heroísmo. É constância: continuar sendo a mesma pessoa quando a pressão aumenta.
O nome dela quer dizer duas coisas
O nome original é Agnes, e ele carrega dois sentidos que vieram de línguas diferentes.
Em grego, hagné quer dizer pura, casta. Em latim, agnus quer dizer cordeiro.
As duas coisas se encaixaram nela de um jeito que a tradição nunca desfez: a pureza que ela defendeu com a vida e o cordeiro que é levado sem resistir. Por isso, em toda imagem antiga, Inês aparece com um cordeiro ao lado e uma palma na mão, que é o sinal dos mártires.
Aqui, mais uma vez, o nome não é enfeite: é a chave da devoção inteira.
Os cordeiros que viram o pálio dos arcebispos
E é aqui que essa história sai da arte e entra na vida da Igreja de hoje.
Todo 21 de janeiro, na basílica dedicada a ela em Roma, dois cordeiros brancos são levados ao altar, enfeitados com flores e fitas, e recebem a bênção durante a Missa. Depois são apresentados ao Papa e entregues a religiosas, que cuidam deles até a época da tosquia.
Com a lã desses cordeiros, as Irmãs da Sagrada Família tecem os pálios: aquelas faixas brancas de lã, com cruzes bordadas, que o Papa entrega aos novos arcebispos metropolitanos e que eles usam sobre os ombros.
Junte as pontas e veja o tamanho da coisa. Cada arcebispo do mundo recebe do Papa uma faixa feita com a lã de dois cordeiros que foram bentos no dia de uma menina de treze anos morta em Roma no ano 304. E isso acontece todo ano, sem falhar, há séculos.
Um nome virou um símbolo, e o símbolo virou um costume vivo.
A basílica que uma princesa mandou construir
Inês foi sepultada num cemitério fora das muralhas de Roma, e o túmulo dela virou lugar de visita muito cedo.
Constância, filha do imperador Constantino, mandou erguer ali uma basílica em honra dela. Ela é conhecida até hoje como Santa Inês Fora dos Muros, nome que apenas indica onde fica: do lado de fora da antiga muralha da cidade.
É nessa basílica que os cordeiros são bentos todo mês de janeiro.
Quando se reza a Santa Inês
Reza-se em 21 de janeiro, o dia dela.
Reza-se por adolescentes e por jovens, especialmente por quem está sendo pressionado a fazer o que não quer. Ela é padroeira das moças, e a razão do padroado é essa.
Reza-se por noivos, padroado antigo dela.
E reza-se pedindo o que a oração do dia pede, que não é força e sim constância: continuar sendo a mesma pessoa quando fica difícil ser.