Quem é Santa Filomena
Santa Filomena é venerada como virgem e mártir dos primeiros séculos cristãos, e o centro da devoção é a cidade de Mugnano del Cardinale, na província de Avellino, no sul da Itália. É uma das poucas devoções católicas cuja história moderna começa numa data exata e num lugar exato: uma escavação em Roma, no ano de 1802.
Ela é lembrada sobretudo como padroeira dos jovens, dos estudantes e das causas difíceis, e foi chamada por um Papa de a grande taumaturga do século XIX.
A origem, com as datas
Em 25 de maio de 1802, durante escavações na catacumba de Priscila, na Via Salária, em Roma, foi encontrado o túmulo de uma jovem de treze ou catorze anos, fechado por três lápides de terracota. Junto dos restos havia um pequeno frasco, sinal que a arqueologia cristã da época associava aos mártires.
Em junho de 1805, o padre Francesco di Lucia obteve autorização para levar as relíquias a Mugnano del Cardinale, onde foram depositadas no templo dedicado a Nossa Senhora das Graças. Ali estão até hoje. Em 1827, o Papa Leão XII mandou entregar ao mesmo lugar as três lápides originais vindas da catacumba romana.
O reconhecimento veio em 13 de janeiro de 1837, quando o Papa Gregório XVI aprovou o culto e fixou a festa em 11 de agosto. Foi ele quem chamou Filomena de grande taumaturga do século XIX e a ligou à obra do Rosário Vivo.
O que existe hoje
O Santuário de Santa Filomena, em Mugnano del Cardinale, continua sendo o destino de peregrinos de vários países, e a festa de agosto move a cidade inteira. A devoção se espalhou pela Europa e pelas Américas ainda no século XIX e chegou a Portugal e ao Brasil, onde existem paróquias, capelas e comunidades com o nome dela.
O que mais projetou a santa foi o testemunho de um pároco francês: João Maria Vianney, o Cura d'Ars, atribuía a ela as graças alcançadas na sua paróquia e mandou erguer uma capela em sua honra. Nunca aceitou o crédito por um milagre sequer: dizia que a autora era Filomena.
Onde visitar
O endereço é Mugnano del Cardinale, na região da Campânia, a cerca de quarenta quilômetros de Nápoles. O santuário guarda as relíquias, as três lápides originais e a coleção de ex-votos deixados por devotos ao longo de dois séculos. Quem vai a Nápoles costuma incluir a visita no mesmo roteiro do Santuário de Pompeia.
Quando a Igreja celebra
A festa é em 11 de agosto, data fixada em 1837. Em Mugnano, as celebrações principais ocupam os dias 10 e 11 de agosto, com procissão, e o mês inteiro tem programação. Em algumas comunidades, a data é lembrada com uma novena que começa em 2 de agosto.
Coisas que pouca gente sabe
O nome veio das lápides. Nelas estava escrito, em três blocos fora de ordem, LUMENA PAX TE CUM FI, e a leitura na ordem certa dá Pax tecum, Filumena, ou seja, a paz esteja contigo, Filomena. Foi assim que a jovem recebeu o nome pelo qual o mundo a conhece.
Entre os devotos declarados dela estão o Cura d'Ars e Paulina de Marillac, e a devoção atravessou o século XIX carregada por gente muito diferente entre si, do camponês ao Papa. No Brasil, o nome batizou municípios no Piauí e em Pernambuco, sinal de quanto a devoção pegou por aqui.
O que muita gente acredita e não é verdade
Circula a ideia de que Santa Filomena teria sido riscada da lista dos santos em 1961. Não foi isso que aconteceu. Em 14 de fevereiro de 1961, a Congregação dos Ritos retirou a celebração dos calendários litúrgicos particulares, decisão que trata da Missa própria e do Ofício, e não da santidade dela. O santuário continua aberto, a devoção continua permitida e a festa de 11 de agosto continua sendo celebrada em Mugnano.
Outro engano comum é achar que ela figurava no Calendário Romano Geral. Nunca figurou: a celebração aprovada em 1837 valia para lugares determinados, e é assim que funciona até hoje.
Como e quando rezar
A devoção é procurada por estudantes em época de prova, por jovens, por casais que pedem filhos e por quem enfrenta causa que parece perdida. A prática mais comum é a novena, rezada nos nove dias que antecedem 11 de agosto, e o terço, por causa da ligação com o Rosário Vivo.
Em casa, o modo mais simples é acender uma vela no dia 11, rezar um terço pela intenção mais difícil que se carrega e pedir a intercessão dela pelos jovens da família.