Quem foi Santa Flávia Domitila
Santa Flávia Domitila foi uma nobre romana ligada à família imperial dos Flávios, no primeiro século do cristianismo. As fontes antigas a apresentam ora como sobrinha do imperador, ora como esposa do cônsul Flávio Clemente, e essa divergência atravessa os relatos até hoje.
O que todas registram é o essencial: ela era da corte, era cristã e não escondeu isso.
O exílio, com a data
Segundo a História Eclesiástica de Eusébio de Cesareia, no décimo quinto ano do governo de Domiciano, ou seja, no ano 95, Flávia Domitila foi deportada para a ilha de Ponza por ter confessado Cristo.
São Jerônimo, escrevendo depois, descreve a morte dela como lenta e dura, numa ilha sem condições de sobrevivência. Não houve execução espetacular: houve abandono, que naquele tempo era outra forma de sentença de morte.
As catacumbas que levam o nome dela
Aqui está o dado mais procurado hoje, e ele é concreto. Flávia Domitila usava um terreno da família, na Via Ardeatina, para sepultar cristãos mortos na perseguição.
Aquele cemitério cresceu e virou a Catacumba de Domitila, uma das maiores e mais visitadas de Roma. Ou seja: o nome que aparece nos roteiros turísticos da capital italiana é o dela.
O que existe hoje
As catacumbas continuam abertas à visitação e são um dos endereços mais procurados por quem faz roteiro cristão em Roma. Elas guardam pinturas antigas e galerias que atravessam quilômetros sob a cidade.
O conjunto tem ainda uma basílica subterrânea, erguida sobre o túmulo de mártires sepultados ali, e é conduzido por guias que explicam a leitura dos símbolos cristãos primitivos gravados nas paredes, como o peixe, a âncora e o bom pastor. Para quem visita Roma com tempo curto, essa é a catacumba que costuma ser recomendada em primeiro lugar.
Quando a Igreja celebra
A festa é em 7 de maio.
Onde visitar
O endereço principal é a Catacumba de Domitila, na Via Ardeatina, em Roma. O segundo endereço é a ilha de Ponza, no mar Tirreno, para onde ela foi deportada, hoje destino de veraneio italiano.
Coisas que pouca gente sabe
O nome de uma das catacumbas mais visitadas do mundo é o de uma mulher da corte imperial. O registro do exílio dela está em Eusébio de Cesareia, historiador do século IV, e não em relato devocional tardio. E ela usou o próprio terreno para dar sepultura cristã a quem morria perseguido, o que era ato de coragem e de patrimônio.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente supõe que ela tenha sido morta na arena, como tantos mártires do período. O relato é outro: exílio em ilha e morte por privação, o que a tradição também trata como martírio.
Também há confusão entre ela e outras mulheres da mesma família, todas chamadas Flávia Domitila, o que explica por que as fontes divergem no grau de parentesco com o imperador.
Como e quando rezar
É santa de quem perde posição social por causa da fé, de quem foi afastado da família por causa dela e de quem cuida de enterro e de luto alheio. O gesto que marcou a vida dela, ceder terreno para sepultar perseguidos, é o tipo de caridade que quase ninguém vê.