Quem foi Santa Clara de Assis
A Oração de Santa Clara é rezada por quem precisa de clareza em uma decisão, por famílias que querem paz dentro de casa e por quem trabalha com comunicação. Clara nasceu em Assis, na Itália, por volta de 1193, numa família nobre, e foi a primeira mulher a seguir São Francisco. Morreu em 11 de agosto de 1253, dia em que a Igreja a celebra.
Ela fundou a ordem que hoje leva o nome dela, as Clarissas, e viveu 41 anos no mesmo lugar: o pequeno mosteiro de San Damiano, fora dos muros de Assis. Boa parte desse tempo foi de cama, doente.
O que se pede na oração de Santa Clara
A oração mais rezada não é um pedido de bens nem de resolução rápida. É uma bênção: pede que Deus volte os olhos para quem reza, que dê paz e tranquilidade, e que no fim receba essa pessoa no Céu na companhia dela e de todos os santos.
Há também uma oração pelas famílias que faz um jogo bonito com o nome dela, e que explica sozinha por que tanta gente reza a Clara diante de uma decisão difícil: já que sois mais clara que o vosso próprio nome, clareai nossa mente e nosso coração. Quem tem uma escolha na frente e não consegue ver o caminho reconhece esse pedido.
A noite em que ela fugiu de casa
Clara tinha 18 anos e um casamento arranjado pela família. Na noite de Domingo de Ramos de 1212, saiu de casa escondida e caminhou até a Porciúncula, a capela pequena onde Francisco e os primeiros companheiros dele a esperavam.
Diante do altar, os cabelos dela foram cortados, ela vestiu uma túnica simples de lã e cobriu a cabeça com um véu. A família tentou trazê-la de volta à força e não conseguiu. Pouco tempo depois, uma irmã dela fez a mesma escolha, e mais tarde a própria mãe entrou no mosteiro.
Vale dizer o que essa cena significava naquele tempo: uma moça de família nobre trocando um casamento vantajoso por uma vida sem posses. Não era gesto romântico, era ruptura.
Quarenta e um anos em San Damiano
Francisco a levou para San Damiano, o mesmo templo caindo aos pedaços que ele havia restaurado com as próprias mãos. Clara ficou ali o resto da vida.
O que ela defendeu com mais teimosia foi o direito de não ter nada. Chamava-se Privilégio da Pobreza: a autorização, dada por escrito pelo Papa, para que o mosteiro não possuísse propriedades nem rendas. Era o contrário do que a Igreja costumava exigir de um mosteiro de mulheres, que precisava de bens para se sustentar. Clara passou décadas insistindo nesse ponto.
A Regra que chegou um dia antes do fim
Aqui está a parte da história que quase ninguém conhece, e é a mais impressionante.
Clara escreveu a própria Regra, o texto que organiza a vida de uma comunidade religiosa. Foi a primeira mulher na história da Igreja a escrever uma Regra aprovada oficialmente. E ela esperou por essa aprovação a vida inteira.
O Papa Inocêncio IV confirmou o texto com a bula Solet annuere em 9 de agosto de 1253. O documento chegou às mãos de Clara em San Damiano no dia 10 de agosto. Ela morreu no dia 11.
Quarenta anos de insistência, e a resposta chegou na véspera. Quem reza a Clara pedindo paciência para uma causa que não anda costuma se apoiar exatamente nisso.
Ela foi canonizada dois anos depois, em 1255, pelo Papa Alexandre IV.
Por que Santa Clara aparece com um ostensório na mão
Quase toda imagem de Santa Clara a mostra segurando um ostensório, aquela peça dourada em forma de sol onde se expõe o Santíssimo Sacramento. A origem disso é um episódio de setembro de 1240.
Soldados invadiram o mosteiro de San Damiano. Clara, doente, foi levada até a porta levando consigo o Santíssimo e pediu socorro ao Céu pelas irmãs. Os invasores recuaram e, segundo o relato, disseram ter visto uma luz mais forte que o sol. O testemunho está no Processo de Canonização de 1253, na voz de uma das irmãs que estava lá.
Há um detalhe histórico que vale saber, e que não diminui nada: em 1240 o ostensório como conhecemos hoje ainda não existia na Igreja, ele começou a aparecer décadas depois. O que Clara levou à porta foi uma pequena caixa onde o Santíssimo era guardado. A arte trocou o objeto pelo que o público reconheceria como sinal do Santíssimo Sacramento, e é por isso que ela é pintada assim. A imagem conta uma verdade: aquela mulher enfrentou soldados armados levando na mão o que mais amava.
A padroeira da televisão
Este é o fato mais surpreendente da vida dela, e é oficial. Em 14 de fevereiro de 1958, o Papa Pio XII declarou Santa Clara padroeira da televisão, pelo documento Clarius explendescit.
O motivo está num Natal em San Damiano. Clara estava acamada e não pôde ir com as irmãs à celebração. Segundo o testemunho dela mesma, recolhido no Processo de Canonização, ela ouviu e acompanhou toda a solenidade que estava sendo celebrada na Basílica de São Francisco, em Assis, e disse ter estado presente ali, recebendo a comunhão.
Sete séculos depois, quando apareceu um aparelho que permitia ver e ouvir o que acontece longe, Pio XII olhou para aquela noite e escolheu Clara. É por isso que profissionais de televisão, de rádio e de internet rezam a ela, e por isso a devoção cresceu entre quem trabalha com comunicação.
De que Santa Clara é padroeira
Da televisão e de quem trabalha com comunicação, por decisão de Pio XII. Das Clarissas e de toda a família franciscana. Dos bordadores, porque ela bordava com as próprias mãos os corporais usados na Missa. E, na devoção popular brasileira, de quem pede clareza: numa escolha, num diagnóstico, numa conversa difícil.
Quando se reza a Santa Clara
Reza-se diante de uma decisão que não clareia. Reza-se por uma família em atrito. Reza-se por uma causa que se arrasta há anos, e essa talvez seja a intenção mais própria dela, que esperou quarenta anos por um documento e o recebeu quando já estava de partida.
Reza-se também em 11 de agosto, dia da festa dela, e ao longo dos nove dias da novena que a antecede.