Quem foi Santa Catarina de Sena
Catarina nasceu em Sena, na Itália, em 1347, numa família enorme. O pai era tintureiro, gente de trabalho, sem nada de nobreza.
Aos dezesseis anos entrou para a Terceira Ordem Dominicana, no ramo feminino que ali chamavam de Mantelatas. Terceira Ordem quer dizer que ela não foi para dentro de um convento: continuou vivendo no mundo, ligada aos dominicanos, com uma regra de vida própria.
Morreu em Roma em 1380, aos trinta e três anos.
Entre esses dois momentos ela fez uma coisa que ninguém esperava de uma moça na posição dela.
A oração que ela rezava aos pés do crucifixo
O texto atribuído a Catarina, rezado por ela diante do crucifixo, é este:
Espírito Santo, vem ao meu coração, e pela tua potência traz consigo Deus, e dá-me caridade com temor. Guarda-me, Cristo, de todo mau pensamento; aquece-me e inflama-me do teu santíssimo Amor, para que cada pena me pareça leve. Meu Santo Pai e meu doce Senhor, ajuda-me agora em cada uma de minhas necessidades.
Vale reparar no que ela pede no meio da oração. Não pede que a dor acabe. Pede para ser aquecida e inflamada de amor, e diz para quê: para que cada pena pareça leve.
Não é pedido de fuga. É pedido de força.
A moça que fez o Papa mudar de país
Aqui está o fato que faz dela uma das figuras mais impressionantes da história da Igreja.
Durante quase setenta anos, os papas não moravam em Roma. Moravam em Avinhão, no sul da França, desde o tempo de Clemente V. A Igreja governava de outro país, e aquilo já parecia normal para todo mundo.
Catarina achava que estava errado, e resolveu falar. Escreveu cartas ao Papa Gregório XI. Depois, em 1376, fez algo mais direto: viajou da Itália até Avinhão para tratar do assunto pessoalmente.
Ela tinha vinte e nove anos, era filha de tintureiro e não tinha cargo nenhum na Igreja. Insistiu, e o Papa voltou para Roma.
Numa catequese sobre ela, o Papa Bento XVI resumiu o episódio dizendo que Catarina exortou o Papa enérgica e eficazmente a regressar a Roma. As duas palavras importam: ela foi enérgica, e funcionou.
Ela aprendeu a escrever depois de adulta
E aqui a história fica ainda melhor.
Catarina aprendeu a ler com dificuldade, e aprendeu a escrever só quando já era adulta. Isso não é boato devocional: é o que o próprio Bento XVI diz na catequese dedicada a ela.
Ou seja, a mulher que convenceu um papa a atravessar a Europa de volta não teve escola. As centenas de cartas que ela deixou, muitas delas ditadas, foram escritas por alguém que aprendeu as letras tarde e mesmo assim resolveu escrever para reis, cardeais e para o próprio Papa.
O Diálogo, o livro que ela ditou
A doutrina de Catarina está principalmente numa obra chamada O Diálogo da Divina Providência.
O livro tem esse nome porque é escrito em forma de conversa: ela pergunta, e Deus responde. Não é tratado nem manual, é diálogo, e é justamente esse formato que o torna diferente de quase tudo que se escrevia na época.
Além do Diálogo, ficaram o epistolário dela, que é o conjunto das cartas, e uma coletânea de orações.
Doutora da Igreja e padroeira da Europa
Catarina foi canonizada em 1461.
Em 1970, o Papa Paulo VI a declarou Doutora da Igreja, título que reconhece que o que ela escreveu ensina a fé para todos os cristãos, e não só para o tempo dela.
Ela é também padroeira da Itália e uma das padroeiras da Europa. É o tipo de reconhecimento que costuma ir para fundadores de ordens e grandes bispos, e foi para uma leiga de trinta e três anos.
Quando se reza a Santa Catarina de Sena
Reza-se em 29 de abril, o dia da memória dela.
Reza-se quando é preciso dizer uma verdade difícil para alguém acima de nós, porque foi exatamente isso que ela fez, e fez bem.
Reza-se pela Igreja e por quem a governa, que foi a causa da vida dela.
Reza-se quando a dor não passa, usando as palavras que ela mesma usava: para que cada pena me pareça leve.
E reza-se por quem estuda tarde, por quem voltou para a escola depois de adulto, por quem acha que já passou da hora de aprender. A padroeira dessa gente aprendeu a escrever depois dos vinte.