Quem é Santa Catarina de Alexandria
Santa Catarina de Alexandria é a santa dos que estudam. Nasceu por volta de 287 em Alexandria, no Egito, filha de família nobre, e teve uma formação que quase nenhuma mulher da época recebia: filosofia, teologia e artes.
O que ficou dela não foi a beleza nem a nobreza, e sim o argumento. A tradição a apresenta enfrentando o imperador e os sábios dele num debate sobre quem criou o mundo, e é dessa cena que nasce todo o resto.
A origem, com as datas
O contexto é a perseguição romana. O imperador Maximino ordenou sacrifícios aos deuses, e Catarina se apresentou diante dele para discutir a fé, em vez de fugir ou de se calar.
Condenada, foi levada à execução. Segundo a tradição, os prefeitos do imperador mandaram construir rodas armadas com pregos e lâminas para matá-la, e ela rezou, e a máquina se desfez. Acabou executada em 25 de novembro, no começo do século IV. As fontes divergem sobre o ano exato, e por isso a data que ficou é o dia, não o ano.
O que existe hoje
A festa entrou no calendário da Igreja pelo Papa João XXII, no século XIV, e é celebrada em 25 de novembro. A devoção foi enorme na Idade Média, e a Universidade de Paris escolheu Catarina como padroeira, o que diz tudo sobre o perfil dela.
No Brasil, o nome dela está no mapa: ela é a padroeira do estado de Santa Catarina. Nos Açores, em Portugal, a festa dela ainda organiza a vida de comunidades inteiras.
Onde visitar
No Egito, o endereço é o Mosteiro de Santa Catarina, no Sinai, um dos mosteiros cristãos mais antigos em funcionamento contínuo no mundo, ao pé da montanha onde a tradição situa a entrega das tábuas da Lei.
No Brasil, o estado de Santa Catarina leva o nome dela, e paróquias em todas as regiões a têm como padroeira, com festa em novembro.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 25 de novembro. Em comunidades que a têm como padroeira, a novena começa nove dias antes, e a data costuma reunir também celebrações escolares, por causa do padroado sobre estudantes.
Coisas que pouca gente sabe
Ela é padroeira de três grupos que raramente aparecem juntos: filósofos e estudantes, por causa do debate; solteiras, por tradição popular antiga; e trabalhadores que lidam com rodas, por causa do instrumento do martírio. O terceiro padroado é o mais curioso, e vem direto do relato.
Outro dado que impressiona: a devoção era tão grande na Europa medieval que uma das maiores universidades do mundo, a de Paris, se colocou sob a proteção dela. Numa época em que quase nenhuma mulher estudava, os estudantes escolheram uma mulher culta como padroeira.
O que muita gente acredita e não é verdade
A confusão mais comum é com Santa Catarina de Sena, a doutora da Igreja do século XIV, italiana, que aconselhava papas. São duas santas distintas, separadas por mil anos, e as duas têm festa própria.
Também se pensa que o estado de Santa Catarina foi batizado por causa de alguma santa brasileira. O nome vem desta mártir de Alexandria, e é anterior à colonização.
E há quem tome o episódio das rodas como fato documentado. É tradição antiga da devoção, transmitida nas narrativas de martírio, e vale lê-la assim.
Como e quando rezar
Reza-se a Santa Catarina de Alexandria por estudo, prova, concurso, defesa de tese e por coragem de argumentar sem medo diante de quem tem mais poder. É a santa de quem precisa falar e ser ouvido.
Em 25 de novembro, o costume em muitas escolas católicas é rezar pelos estudantes e professores. Em casa, uma oração antes de estudar, pedindo clareza e memória, é o modo mais simples e mais fiel a ela.