Quem foi o Beato Giácomo Cusmano
Giácomo Cusmano nasceu em Palermo, na Sicília, em 1834, numa família de posses. Estudou com os jesuítas, formou-se em medicina e chegou a ensinar na universidade da cidade.
O que ele fez com o diploma é que interessa: atendeu de graça quem aparecia, durante quatro anos, e viu de perto uma coisa que o incomodou até o fim da vida. A doença mais comum entre os pobres de Palermo era a fome.
De médico a padre
A morte do pai e o contato diário com a miséria mudaram o rumo dele. Entrou no seminário e foi ordenado padre em 22 de dezembro de 1860, na arquidiocese de Palermo.
Ele não abandonou a medicina, e é isso que dá o tom da obra: continuou raciocinando como médico, ou seja, tratando causa e não sintoma.
O Boccone del Povero
Em 1867 ele criou o que ficou conhecido como Boccone del Povero, o bocado do pobre.
A ideia era simples e mobilizava a cidade: cada família guardava um bocado da própria refeição, e aquilo era recolhido e distribuído a quem não tinha nada. Da coleta de comida a obra cresceu para casas de acolhida, atendimento a doentes e cuidado com órfãos.
Isso aconteceu numa Palermo pós-unificação da Itália, com epidemia, desemprego e gente morrendo na rua. Não era caridade de sobra, era resposta de emergência.
As duas congregações
Para sustentar a obra depois dele, Cusmano fundou duas famílias religiosas: uma feminina, as Servas dos Pobres, e uma masculina, os Missionários Servos dos Pobres.
A irmã mais velha dele, Vincenzina Cusmano, esteve entre as primeiras religiosas do ramo feminino. A obra ficou de pé depois da morte do fundador, o que é o teste mais duro de qualquer fundação.
A morte e a beatificação
Ele morreu em Palermo, em 14 de março de 1888, aos 54 anos, de pleurisia.
Quase um século depois, em 30 de outubro de 1983, o Papa João Paulo II o declarou beato, na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Onde visitar
O endereço é Palermo, na Sicília: a casa-mãe do Boccone del Povero e a memória dele estão ali, e a obra continua funcionando na cidade.
No Brasil não localizei casa da congregação em fonte própria, e por honestidade fica dito assim. Quem quiser rezar a ele aqui pode fazê-lo na festa de 14 de março, sem precisar de santuário.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 14 de março, dia da morte dele.
Vale uma explicação que muita gente não conhece: ele é beato, não santo. O culto de um beato é permitido em lugares determinados, como a diocese de origem e as casas da congregação, e não no calendário da Igreja no mundo inteiro. É essa a diferença prática entre beato e santo.
Coisas que pouca gente sabe
O nome da obra é literal: bocado do pobre. Não é nome de santo nem de prato típico, é a descrição do método, tirar um bocado da própria comida.
Ele era médico formado e professor de universidade quando decidiu virar padre, o que naquela Palermo significava descer vários degraus sociais de uma vez.
E a irmã dele entrou na obra: Vincenzina Cusmano esteve entre as primeiras Servas dos Pobres, o que fez daquilo um projeto de família, e não só de um homem.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente vê o nome Boccone del Povero e imagina uma instituição antiga que fechou. Não fechou: a obra continua em Palermo e nas casas das duas congregações.
Também é comum tratá-lo como santo. Ele é beato desde 1983, e a causa de canonização segue o caminho normal, que depende de milagre reconhecido depois da beatificação.
Como e quando rezar
Reza-se ao Beato Giácomo Cusmano por quem tem fome, por quem trabalha em banco de alimentos, cozinha comunitária e obra social, e por médicos e profissionais de saúde que atendem gente sem recurso.
É também a oração de quem quer largar uma carreira segura para fazer outra coisa, porque foi exatamente essa a decisão dele.