Quem foi o Beato Francisco Spoto
Francisco Spoto nasceu em 8 de julho de 1924, em Raffadali, na Sicília, filho de Vincenzo Spoto e Vincenza Marzullo, gente de fé simples e forte.
Aos 12 anos entrou no seminário dos Missionários Servos dos Pobres, em Palermo, congregação nascida da obra do Beato Giácomo Cusmano, o médico que virou padre dos pobres da cidade. Ou seja: o menino entrou numa casa cujo carisma era caridade sem limite.
Do governo da congregação para o Congo
Ele subiu na congregação até o cargo mais alto, superior geral. Podia ter passado a vida em escritório, e fez o contrário.
Em agosto de 1964 foi para o Congo, e sabia o que ia encontrar. O país tinha se tornado independente da Bélgica em 1960 e afundado numa guerra civil. Rebeldes conhecidos como Simba controlavam áreas enormes e tratavam missionários ocidentais como inimigos.
O sequestro e a tortura
Em 3 de dezembro de 1964, os rebeldes capturaram Spoto e outros quatro missionários.
Em 11 de dezembro ele foi espancado e torturado. Conseguiu escapar descalço, mas caiu de exaustão pouco depois. Morreu das feridas em 27 de dezembro de 1964, com 40 anos.
O que a Igreja reconheceu
Ele foi declarado beato em 21 de abril de 2007, na catedral de Palermo, a mesma cidade em que entrou no seminário quando era menino.
O reconhecimento como mártir da caridade diz o essencial: ele não morreu por acidente de guerra, morreu porque estava ali, e porque não foi embora quando podia.
O que existe hoje
A congregação dos Missionários Servos dos Pobres continua em atividade e mantém a memória dele viva, com material publicado sobre o martírio e sobre o aniversário dele todo ano.
A obra que nasceu em Palermo no século 19 chegou à África no século 20, e é dessa linha que ele faz parte: o mesmo carisma, outro continente, outro tipo de risco.
Onde visitar
Palermo, na Sicília, é o lugar dele: a catedral onde foi beatificado e a casa da congregação, ligada ao Boccone del Povero, a obra do Beato Cusmano.
Raffadali, cidade natal, fica na província de Agrigento, na mesma ilha. No Brasil não existe casa da congregação que eu tenha localizado em fonte própria, e a devoção chega pelo caminho da memória missionária.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 27 de dezembro, dia da morte dele. Como beato, o culto é permitido em lugares determinados, como a diocese de origem e as casas da congregação, e não no calendário da Igreja no mundo inteiro.
Coisas que pouca gente sabe
Ele era o superior geral quando foi. Não foi enviado por obediência a um chefe: era ele o chefe, e escolheu o lugar mais perigoso onde a congregação estava.
A fuga descalço, depois de espancado, é o detalhe que os documentos guardam. Ele andou até não conseguir mais, e morreu dezesseis dias depois da tortura.
E há a coincidência de calendário: ele morreu em 27 de dezembro, dia de São João Evangelista, o apóstolo que escreveu sobre permanecer no amor até o fim.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente imagina que missionário morto em guerra civil é vítima de bala perdida. Não foi o caso: houve captura, tortura e uma escolha de não abandonar o lugar antes disso.
Também é comum tratá-lo como santo. Ele é beato desde 2007, e a diferença é prática: o culto de um beato acontece em lugares determinados, e a canonização depende de novo passo do processo.
Como e quando rezar
Reza-se ao Beato Francisco Spoto por missionários em zona de guerra, por religiosos e leigos que trabalham em país instável e por quem foi ferido por causa da própria fé.
É também a oração de quem tem cargo e precisa decidir entre o conforto do escritório e o lugar onde o trabalho dói, que foi exatamente a decisão dele em 1964.